Será que alguém conhece a sensação de totalmente perdido. Estou me sentido assim às 3h13 da manhã de uma quinta-feira. Acabei de realmente conhecer uma pessoa que sou loucamente apaixonado e me decepcionei. Percebi que minha paixão, uma das únicas vezes que eu posso afirmar categoricamente que me senti apaixonado (a primeira, no total são duas), era direcionada a um modelo que eu criei na minha cabeça que não corresponde em nada com a realidade, ou melhor quase nada. Estou triste, muito triste e quero dormir. Parece que todos os meus sentimentos se esvaíram ralo abaixo... Acho que estou beirando o vazio. Por que eu não vou dormir e sonhar com um dia melhor?
It feels so damn empty; it feels that all money you owe me from renting my mind isn´t enough to bury my thoughts or to rebuild my confidence in you. I´ll sleep now.
6.27.2004
Segue uma carta irremetível que escrevi.
You should pay rent on my mind for every night I spend alone in my room wondering how beautiful our children would be, thinking on our very first kiss (if I would place my hand onto your hair and press you gently against my lips so you could feel the tender warmth being released from my soul into your life.)
You should pay rent on my mind for every minute I wonder off my attention from my own existence pointing it at you while picturing your allure silluette defined on our bed sheets after an intimate fulfilling moment of love where our beings become a perfect match before God´s hands.
You should pay rent on my mind for every detail I picture from your charming eyes and how lovely you look so everyone´s breathless gazing your aura (for a second the air inside our room would vanish so you could float your way thru me delighting our very selves.)
You should pay rent on my mind for being just you.
A frase "You should pay rent on my mind" vem de uma poesia do Ian Mackey, do Fugazi. Toda a elaboração que se segue tem a minha inspiração.
You should pay rent on my mind for every night I spend alone in my room wondering how beautiful our children would be, thinking on our very first kiss (if I would place my hand onto your hair and press you gently against my lips so you could feel the tender warmth being released from my soul into your life.)
You should pay rent on my mind for every minute I wonder off my attention from my own existence pointing it at you while picturing your allure silluette defined on our bed sheets after an intimate fulfilling moment of love where our beings become a perfect match before God´s hands.
You should pay rent on my mind for every detail I picture from your charming eyes and how lovely you look so everyone´s breathless gazing your aura (for a second the air inside our room would vanish so you could float your way thru me delighting our very selves.)
You should pay rent on my mind for being just you.
A frase "You should pay rent on my mind" vem de uma poesia do Ian Mackey, do Fugazi. Toda a elaboração que se segue tem a minha inspiração.
6.11.2004
O prazo para colocar a nova cena da peça ultrapassou os três dias, mas como diz o ditado: "antes tarde do que nunca". Espero que as pessoas que haviam mantido certo interesse não o tenha perdido.
Cena oito
Deitados na cama, o casal de namorados, Pedro e Júlia, conversam.
Pedro: O que você quer que eu faça?
Júlia: Fique calado.
Pedro: O que você quer que eu faça?!
Júlia: Quero que você faça exatamente o que está fazendo agora!
Pedro: Fazer nada?!
Júlia: Insensível!
Pedro: Júlia está difícil te entender ultimamente.
Júlia: E está superdifícil fazer você me ouvir.
Pedro: Como posso te escutar se, aparentemente, você está conversando através de sinais ou desenvolveu uma técnica de transmissão de pensamentos e se esqueceu de me avisar? Olha, eu vou te avisando, não consigo ler pensamentos.
(Calados)
Pedro (trocando de canal): Está passando aquele filme mexicano que você tanto gosta, com o Gael Garcia Bernal.
Júlia: “Amores Brutos”?
Pedro: “E Sua Mãe Também”.
Júlia: Interessante. Queria ver uma briga de cachorros!
Pedro: Pois é, aparentemente sou expectador de uma briga de cadela.
Júlia: Você é um escroto!
Pedro: Dizem que é uma das minhas melhores qualidades.
Júlia: Quem disse isso?
Pedro: Ah, o Joaquim, meu porteiro, o Venceslau, irmão da Clara, o Beto, açougueiro, a Maria Helena, da faculdade, o Roberto Pitbul, a Eloísa, secretária do meu pai... (interrompido).
Júlia: Você está inventando esses nomes.
Pedro: Inclusive teve um dia que o cachorro do César falou que eu era escroto, mas acho que pode ter sido efeito de uma salsicha estragada que eu tinha comido.
Júlia: O César tem um gato.
Pedro: Está vendo só, eu realmente estava alucinado.
Júlia: Você deve estar alucinado agora.
Pedro: Te garanto que não foi salsicha que eu comi hoje!
Júlia: Você já percebeu que sempre que entramos numa discussão profunda você foge do assunto e, ultimamente, passou a me atacar?
Pedro: Você já percebeu que você só fala comigo para discutir a nossa relação? Sério, dá um tempo. Quero saber de outra coisa. Por que você não vai pegar uma cerveja para mim?
Júlia: Por que você não vai tomar no cu?
Pedro: Porque eu não gosto, prefiro cerveja.
... ...
Júlia: Parece uma coisa recorrente na sua vida: fugir de relacionamentos por se sentir ameaçado.
Pedro (sussurando): Ultimamente eu quero fugir de...
Júlia: O que você falou?
Pedro: Absolutamente uma tentativa de cair!
Júlia: Ã?! Ficou louco?
Pedro: Não. É um novo código militar que eu aprendi.
Júlia: Não inventa. Não fuja! Qual é o seu problema?
Pedro: Cara, eu não tenho problema nenhum. Acho que o problema dessa merda toda é você. Desde que eu fiz a tal da música, você tem agido estranhamente. Eu sempre faço gestos românticos e você nada...
Júlia: Gestos românticos banais que você fez para todas as mulheres que você teve.
Pedro: Foda-se, para você é especial.
Júlia: Para todas são.
Pedro (em tom meigo): Você é mais especial do que qualquer outra. Você é a minha linda!
Júlia (aborrecida, depois de um tempo para processar as informações): Qual o seu sentimento por mim?
Pedro: Começou a discutir o relacionamento de novo?
Júlia: É sério. Responda.
Pedro: Eu te amo!
Júlia: Resposta pró-forma. Quero mais honestidade.
Pedro: Como eu posso elaborar mais uma sentença extrapolando a terceiridade do “eu te amo”?
Júlia: Não sei, se você consegue colocar semiótica no meio de uma conversa, você pode elaborar suas “palavras” bonitas.
Pedro (pensa e responde): O meu amor por você é do tamanho do esterco de uma vaca depois de ela passar o dia inteiro pastando. O meu amor é do tamanho de um épico dos anos 1960 –a gente acha que acabou, mas ainda tem 1h30 de filme. O meu amor por você é do tamanho de uma segóia, do tamanho da minha fome às 4 horas da manhã quando levanto para comer um espaguete à bolognesa do dia anterior. O meu amor é do tamanho da vontade que eu sempre tenho de te beijar.
(Júlia tenta beijá-lo, mas Pedro esquiva-se levemente)
Júlia (constrangida): Segura a minha mão?
Pedro: Eu estou segurando.
Fim da cena oito.
Cena oito
Deitados na cama, o casal de namorados, Pedro e Júlia, conversam.
Pedro: O que você quer que eu faça?
Júlia: Fique calado.
Pedro: O que você quer que eu faça?!
Júlia: Quero que você faça exatamente o que está fazendo agora!
Pedro: Fazer nada?!
Júlia: Insensível!
Pedro: Júlia está difícil te entender ultimamente.
Júlia: E está superdifícil fazer você me ouvir.
Pedro: Como posso te escutar se, aparentemente, você está conversando através de sinais ou desenvolveu uma técnica de transmissão de pensamentos e se esqueceu de me avisar? Olha, eu vou te avisando, não consigo ler pensamentos.
(Calados)
Pedro (trocando de canal): Está passando aquele filme mexicano que você tanto gosta, com o Gael Garcia Bernal.
Júlia: “Amores Brutos”?
Pedro: “E Sua Mãe Também”.
Júlia: Interessante. Queria ver uma briga de cachorros!
Pedro: Pois é, aparentemente sou expectador de uma briga de cadela.
Júlia: Você é um escroto!
Pedro: Dizem que é uma das minhas melhores qualidades.
Júlia: Quem disse isso?
Pedro: Ah, o Joaquim, meu porteiro, o Venceslau, irmão da Clara, o Beto, açougueiro, a Maria Helena, da faculdade, o Roberto Pitbul, a Eloísa, secretária do meu pai... (interrompido).
Júlia: Você está inventando esses nomes.
Pedro: Inclusive teve um dia que o cachorro do César falou que eu era escroto, mas acho que pode ter sido efeito de uma salsicha estragada que eu tinha comido.
Júlia: O César tem um gato.
Pedro: Está vendo só, eu realmente estava alucinado.
Júlia: Você deve estar alucinado agora.
Pedro: Te garanto que não foi salsicha que eu comi hoje!
Júlia: Você já percebeu que sempre que entramos numa discussão profunda você foge do assunto e, ultimamente, passou a me atacar?
Pedro: Você já percebeu que você só fala comigo para discutir a nossa relação? Sério, dá um tempo. Quero saber de outra coisa. Por que você não vai pegar uma cerveja para mim?
Júlia: Por que você não vai tomar no cu?
Pedro: Porque eu não gosto, prefiro cerveja.
... ...
Júlia: Parece uma coisa recorrente na sua vida: fugir de relacionamentos por se sentir ameaçado.
Pedro (sussurando): Ultimamente eu quero fugir de...
Júlia: O que você falou?
Pedro: Absolutamente uma tentativa de cair!
Júlia: Ã?! Ficou louco?
Pedro: Não. É um novo código militar que eu aprendi.
Júlia: Não inventa. Não fuja! Qual é o seu problema?
Pedro: Cara, eu não tenho problema nenhum. Acho que o problema dessa merda toda é você. Desde que eu fiz a tal da música, você tem agido estranhamente. Eu sempre faço gestos românticos e você nada...
Júlia: Gestos românticos banais que você fez para todas as mulheres que você teve.
Pedro: Foda-se, para você é especial.
Júlia: Para todas são.
Pedro (em tom meigo): Você é mais especial do que qualquer outra. Você é a minha linda!
Júlia (aborrecida, depois de um tempo para processar as informações): Qual o seu sentimento por mim?
Pedro: Começou a discutir o relacionamento de novo?
Júlia: É sério. Responda.
Pedro: Eu te amo!
Júlia: Resposta pró-forma. Quero mais honestidade.
Pedro: Como eu posso elaborar mais uma sentença extrapolando a terceiridade do “eu te amo”?
Júlia: Não sei, se você consegue colocar semiótica no meio de uma conversa, você pode elaborar suas “palavras” bonitas.
Pedro (pensa e responde): O meu amor por você é do tamanho do esterco de uma vaca depois de ela passar o dia inteiro pastando. O meu amor é do tamanho de um épico dos anos 1960 –a gente acha que acabou, mas ainda tem 1h30 de filme. O meu amor por você é do tamanho de uma segóia, do tamanho da minha fome às 4 horas da manhã quando levanto para comer um espaguete à bolognesa do dia anterior. O meu amor é do tamanho da vontade que eu sempre tenho de te beijar.
(Júlia tenta beijá-lo, mas Pedro esquiva-se levemente)
Júlia (constrangida): Segura a minha mão?
Pedro: Eu estou segurando.
Fim da cena oito.
5.30.2004
Cena sete
César e Pedro caminham em lados opostos da mesma rua.
César: Pedro? Pedro?
(Pedro está longe e finge que não ouve)
Pedro: Caralho, esse idiota está aqui, será que eu consigo fingir que não o vejo?
César: Será que ele ta me ouvindo. Ae Pedrão? Pedrão?
Pedro: Pqp. É melhor eu ir falar com ele antes que ele comece a dar um escândalo e fique muito chato.
César: Pedro, Pedro? Aqui do outro lado
Pedro: Opa, e aí meu caro, como vai?
César: Pôxa, vou ótimo. Bom te encontrar.
Pedro: Pois é. Cara, gostaria de continuar a conversar, mas estou super atrasado e preciso ir.
César: Ah, beleza. Até mais, então. Mas e aí, a Júlia endoidou, né cara?
Pedro: Como é que é?
César: Cara, eu te entendo. A mulherada de hoje está super liberal.
Pedro: César, do que você está falando?
César: De seu impasse com a Júlia
Pedro: Não temos nenhum impasse... Tá louco? De onde você tirou essa história?
César: Eu inventei. Presta atenção, Pedro, eu namoro a melhor amiga da Júlia, e sei de tudo o que se passa na vida das duas?
Pedro: **Infelizmente**
César: Não entendi.
Pedro: Instruções Veementes.
César: O que é isso?
Pedro: É um código militar que eu estou aprendendo, é super interessante.
César: Nossa, você precisa me ensinar algum desses.
Pedro: Qualquer dia eu te ensino um dos bons.
César: Hmmmm. Enfim, mas você não percebe que eu sei de tudo o que passa na vida dela.
Pedro: Gostoso!
César: O que?
Pedro: Meu sorvete de acerola.
César: Dá um teco?
Pedro: Não. Eu e a Júlia estamos com um probleminha.
César: Vai dá de migué? Probleminha?! Você está sendo modesto. Pelo o que eu saiba a Júlia endoidou.
Pedro: Você não faz idéia do que está falando!
César: Você não faz idéia do que se passa na cabeça da Júlia.
Pedro: E você?
César: O que?
Pedro: Sabe?
César: Sabe do que?
Pedro: O que está rolando na merda da cabeça da Júlia?
César: Não. Não sou eu o namorado dela.
Pedro: Então por que você começou com esse papo? Sinceramente, você acha que só porque eu sou namorado da Júlia tenho de saber os pormenores da vida dela?
César: Tem.
Pedro: Ah cara, vai se foder.
(silêncio estranho)
César: Você está indo para onde?
Pedro: Se você estiver indo, e eu espero que sim, tomar no cu, não vou te acompanhar.
César: Babaca. Olha, eu acho que a Júlia está dando para outro cara.
Pedro: Como é que é?
César: É, meu irmão, quando a mulherada começa a ficar estranha é porque ela está tendo um caso com um cara, especialmente quando ela fica estranha na frente de nós, namorados. E quando elas estão muito estranhas, mas muito estranhas mesmo, é porque elas estão lambendo carpete?
Pedro: Ã?
César: É, meu irmão, lambendo carpete, comendo pastel de pêlo, passando nariz no sovaco das pernas. Lambendo boceta.
Pedro: César, cala a boca. Você fala essas coisas para a Clara?
César: Desculpa, eu me empolgo. Eu sei que o problema é de vocês e eu estou me metendo, desculpa.
Pedro: Esquece, cara. O problema é que eu estou tendo um treco com a Júlia que eu não sei explicar, tampouco sei de onde veio. E isso é horrível. Fico extremamente indefeso, não sei como agir, não sei se devo falar com ela, ligar, tentar alguma coisa.
César: Eu acho que se ela for demais de importante para você, acho que você deveria correr atrás e fazer tudo o que ela quer. Eu vou dar uma passadinha na casa da Carla, vamos?
Pedro: Pode ser. A Clara é uma pessoa super gente fina. Gosto bastante dela.
César: Cara, posso confessar uma coisa.
Pedro: Acho que já te confessei coisa demais, está na sua vez.
César: Eu tenho um baita ciúmes de você e da Clara.
Pedro: Não sei porquê. A gente saía e só. Hoje eu estou com a Júlia e gosto pra caralho dela.
César: Mas, às vezes eu fico super inseguro. Nunca sei se algum dia vou conseguir ter a aproximação, intimidade que vocês dois têm.
Pedro: Besteira cara, ela gosta pra caralho de você.
César: Ela ou a mãe dela?
(Os dois permanecem num breve momento de silêncio)
César: Sabe o que eu gosto da Carla. Seu jeito de me tratar, ela é muito carinhosa e preocupada. Parece, parece uma atendente de telemarketing super interessada em você.
Pedro: Ela é muito meiga mesmo.
César: Sabe o que eu espero de uma menina? Que quando eu tocar o interfone da casa dela, ela atenda e só de ouvir a minha voz, por um só segundo, ela sinta-se a mulher mais sortuda do mundo e esqueça todos seus problemas. Eu espero que só de ouvir a minha voz, ela possa sorrir sem sentido, ser instantânea na vontade de me ver. (Toca o interfone). Que quando ela me vir pela centésima octogésima terceira vez, ela sinta aquele calafrio que sentiu quando me beijou pela primeira vez. Oi Carla, é o César, eu estou com o Pedro. Podemos subir?
Carla: Subam.
César: Acho que um dia eu vou me casar com ela.
Pedro: Eu sou mais simples. Posso até ser machista. Que a Júlia não me ouça, mas eu vou ter certeza de que estou com a mulher da minha vida, quando eu estiver sentado na sala e ela, sem eu pedir, me trouxer uma lata de cerveja para beber. Não pelo fato de isso ser uma demonstração de subserviência, mas a prova régia de que eu e ela somos um só, que ambos conhecemos os desejos e vontades de cada um.
César: Eu não gosto de cerveja.
Carla atende a porta
César: Oi, meu bem. Estava com saudades.
Carla: Oi Pedro, como está?
Pedro: Vou indo. Encontrei o César na rua.
Carla: Que legal. Meninos coloquem suas bundas no sofá, que eu já volto.
Pedro: Cara, a Carla é muito boa de vida. Olha só essa TV com 135 canais. Do caralho. Tem até uns canal pornô do pai dela.
Carla volta com duas cervejas na mão;
Carla: Trouxe uma gelada para você.
César e Pedro caminham em lados opostos da mesma rua.
César: Pedro? Pedro?
(Pedro está longe e finge que não ouve)
Pedro: Caralho, esse idiota está aqui, será que eu consigo fingir que não o vejo?
César: Será que ele ta me ouvindo. Ae Pedrão? Pedrão?
Pedro: Pqp. É melhor eu ir falar com ele antes que ele comece a dar um escândalo e fique muito chato.
César: Pedro, Pedro? Aqui do outro lado
Pedro: Opa, e aí meu caro, como vai?
César: Pôxa, vou ótimo. Bom te encontrar.
Pedro: Pois é. Cara, gostaria de continuar a conversar, mas estou super atrasado e preciso ir.
César: Ah, beleza. Até mais, então. Mas e aí, a Júlia endoidou, né cara?
Pedro: Como é que é?
César: Cara, eu te entendo. A mulherada de hoje está super liberal.
Pedro: César, do que você está falando?
César: De seu impasse com a Júlia
Pedro: Não temos nenhum impasse... Tá louco? De onde você tirou essa história?
César: Eu inventei. Presta atenção, Pedro, eu namoro a melhor amiga da Júlia, e sei de tudo o que se passa na vida das duas?
Pedro: **Infelizmente**
César: Não entendi.
Pedro: Instruções Veementes.
César: O que é isso?
Pedro: É um código militar que eu estou aprendendo, é super interessante.
César: Nossa, você precisa me ensinar algum desses.
Pedro: Qualquer dia eu te ensino um dos bons.
César: Hmmmm. Enfim, mas você não percebe que eu sei de tudo o que passa na vida dela.
Pedro: Gostoso!
César: O que?
Pedro: Meu sorvete de acerola.
César: Dá um teco?
Pedro: Não. Eu e a Júlia estamos com um probleminha.
César: Vai dá de migué? Probleminha?! Você está sendo modesto. Pelo o que eu saiba a Júlia endoidou.
Pedro: Você não faz idéia do que está falando!
César: Você não faz idéia do que se passa na cabeça da Júlia.
Pedro: E você?
César: O que?
Pedro: Sabe?
César: Sabe do que?
Pedro: O que está rolando na merda da cabeça da Júlia?
César: Não. Não sou eu o namorado dela.
Pedro: Então por que você começou com esse papo? Sinceramente, você acha que só porque eu sou namorado da Júlia tenho de saber os pormenores da vida dela?
César: Tem.
Pedro: Ah cara, vai se foder.
(silêncio estranho)
César: Você está indo para onde?
Pedro: Se você estiver indo, e eu espero que sim, tomar no cu, não vou te acompanhar.
César: Babaca. Olha, eu acho que a Júlia está dando para outro cara.
Pedro: Como é que é?
César: É, meu irmão, quando a mulherada começa a ficar estranha é porque ela está tendo um caso com um cara, especialmente quando ela fica estranha na frente de nós, namorados. E quando elas estão muito estranhas, mas muito estranhas mesmo, é porque elas estão lambendo carpete?
Pedro: Ã?
César: É, meu irmão, lambendo carpete, comendo pastel de pêlo, passando nariz no sovaco das pernas. Lambendo boceta.
Pedro: César, cala a boca. Você fala essas coisas para a Clara?
César: Desculpa, eu me empolgo. Eu sei que o problema é de vocês e eu estou me metendo, desculpa.
Pedro: Esquece, cara. O problema é que eu estou tendo um treco com a Júlia que eu não sei explicar, tampouco sei de onde veio. E isso é horrível. Fico extremamente indefeso, não sei como agir, não sei se devo falar com ela, ligar, tentar alguma coisa.
César: Eu acho que se ela for demais de importante para você, acho que você deveria correr atrás e fazer tudo o que ela quer. Eu vou dar uma passadinha na casa da Carla, vamos?
Pedro: Pode ser. A Clara é uma pessoa super gente fina. Gosto bastante dela.
César: Cara, posso confessar uma coisa.
Pedro: Acho que já te confessei coisa demais, está na sua vez.
César: Eu tenho um baita ciúmes de você e da Clara.
Pedro: Não sei porquê. A gente saía e só. Hoje eu estou com a Júlia e gosto pra caralho dela.
César: Mas, às vezes eu fico super inseguro. Nunca sei se algum dia vou conseguir ter a aproximação, intimidade que vocês dois têm.
Pedro: Besteira cara, ela gosta pra caralho de você.
César: Ela ou a mãe dela?
(Os dois permanecem num breve momento de silêncio)
César: Sabe o que eu gosto da Carla. Seu jeito de me tratar, ela é muito carinhosa e preocupada. Parece, parece uma atendente de telemarketing super interessada em você.
Pedro: Ela é muito meiga mesmo.
César: Sabe o que eu espero de uma menina? Que quando eu tocar o interfone da casa dela, ela atenda e só de ouvir a minha voz, por um só segundo, ela sinta-se a mulher mais sortuda do mundo e esqueça todos seus problemas. Eu espero que só de ouvir a minha voz, ela possa sorrir sem sentido, ser instantânea na vontade de me ver. (Toca o interfone). Que quando ela me vir pela centésima octogésima terceira vez, ela sinta aquele calafrio que sentiu quando me beijou pela primeira vez. Oi Carla, é o César, eu estou com o Pedro. Podemos subir?
Carla: Subam.
César: Acho que um dia eu vou me casar com ela.
Pedro: Eu sou mais simples. Posso até ser machista. Que a Júlia não me ouça, mas eu vou ter certeza de que estou com a mulher da minha vida, quando eu estiver sentado na sala e ela, sem eu pedir, me trouxer uma lata de cerveja para beber. Não pelo fato de isso ser uma demonstração de subserviência, mas a prova régia de que eu e ela somos um só, que ambos conhecemos os desejos e vontades de cada um.
César: Eu não gosto de cerveja.
Carla atende a porta
César: Oi, meu bem. Estava com saudades.
Carla: Oi Pedro, como está?
Pedro: Vou indo. Encontrei o César na rua.
Carla: Que legal. Meninos coloquem suas bundas no sofá, que eu já volto.
Pedro: Cara, a Carla é muito boa de vida. Olha só essa TV com 135 canais. Do caralho. Tem até uns canal pornô do pai dela.
Carla volta com duas cervejas na mão;
Carla: Trouxe uma gelada para você.
5.25.2004
Cena seis
No quarto de Júlia, ela e a amiga Clara conversam.
Júlia: Eu estou cansada de ter de resolver os problemas para ele. Criamos um padrão em nosso relacionamento em que sempre que há um problema, o Pedro corre para os meus braços para eu resolver. Eu cansei disso. Acho que se quisermos avançar nesse relacionamento, ele terá de descobrir sozinho o que está acontecendo.
Clara: Júlia, o que você quer da vida?
Júlia: Ã?!
Clara: É você me entendeu. Qual caminho você quer traçar com o Pedro ou sozinha ou com qualquer Zé Mané ou qualquer Maria Manuela para desenvolver sua vida?
Júlia: Baixou a Zíbia Gasparetto em você, agora? Sei lá, Clara, eu estou de saco cheio do Pedro. Ele é um moleque de 24 anos que não quer responsabilidade nenhuma.
Clara: Você está sendo injusta com ele. O Pedro é um dos caras mais responsáveis que eu conheço e, em se tratando de vida profissional, ele é a pessoa mais ambiciosa de todos os tempos.
Júlia: Legal. Resultado: eu o assisto se desenvolver profissionalmente enquanto continua um adolescente em fase espinhosa durante nossas transas. Sabe para onde ele me levou na semana passada? Para assistir a um campeonato de Skate. E eu lá me importo que um tal de Bob Não-Sei-Das-Quantas vai competir.
Clara: Burnquist.
Júlia: O que?
Clara: Bob Burnquist, o skatista profissional.
Júlia: Esse mesmo. Enfim, eu quero mais que isso.
Clara: Pouco antes de vocês brigarem, ele cozinhou para você, com velas e tudo.
Júlia: Pouco antes de a gente brigar, a gente estava transando.
Clara: E foi bom?
Júlia: O que?
Clara: A comida.
Júlia: Qual delas?
Clara: Nossa menina, que mente suja.
Júlia: Desculpa, não poderia perder a oportunidade. Estava ótima!!
Clara: A transa?
Júlia: Não, essa foi mais ou menos. Você sabe que o Pedro é um excelente chef.
Clara: Ele quem me deu uns toques na cozinha. Sabe, eu li na VIP...
Júlia (interrompendo): Espera um pouco, você está lendo VIP.
Clara: Estava no banheiro do César.
Júlia: Aliás, quando você vai largar esse babaca?
Clara: Não me enche você também, vamos voltar ao assunto original. Eu li na VIP que os homens agora estão ficando mais confiantes e trocando suas namoradas por modelos?
Júlia: E você acredita na VIP?
Clara: E você acredita na Nova?
Júlia: Bem colocado. Mas isso não importa, o Pedro não vai me trocar por uma magrela. Até porque no quesito beleza ele é 6,5.
Clara: Esnobe. Eu acho ele um gato.
Júlia: Na transa 7,5.
Clara: Na cozinha 9,5
Júlia: Me agradando 10. Eu gosto para caralho daquele filho da puta, daquele crianção, daquele... Deixa para lá, eu gosto dele e ponto.
Clara: Então qual é o problema?
Júlia: O problema é que eu não tenho mais 19 anos querendo um namorico de portão em que meu namorado compõe uma música para mim depois de a gente transar, me leva no shopping center para tomar sorvete, passa o final de semana em casa e leva o videogame, assina canal pornô. Caramba, eu tenho 25 anos.
Clara: E como é o namoro quando a gente tem 25 anos?
Júlia: Sei lá como é. É diferente... Como se você soubesse.
Clara: Não faço idéia e não me preocupo com isso. Júlia, a gente simplesmente vive a vida. A gente não pode cobrar atitudes simplesmente por acharmos que elas não se enquadram em nossa faixa etária. O que estabelece que com 19 anos temos que ir ao shopping, com 25 vamos ao cinema (que muitas vezes fica num shopping), com 35 a gente conversa com outras mães na porta da escolinha dos filhos, com 45 a gente fala bem dos filhos no trabalho? Nada. Eu, por exemplo, quero chegar aos 45 anos assistindo Friends.
Júlia: Friends acabou.
Clara: Não as reprises. Eu adoro o Chandler.
Júlia: E eu adoro o Ross, ele é tão fofo. Sabe, eu queria ter um professor igualzinho a ele. Nossa, ele é tão inteligente e engraçado.
Clara (depois de um breve silêncio): Júlia, quando a gente tinha 19 anos, nós achávamos o George Clooney um gato e queríamos ter ele como instrutor da auto-escola.
Júlia: É verdade. O George Clooney é um gato também, se ele tivesse sido meu instrutor, eu nunca teria tirado minha habilitação.
Clara: Júlia, foco, meu amor. O que eu quero dizer que ambas estamos com 25 anos e discutindo sobre o mesmo assunto há 6 anos.
Clara: Qual a sua banda favorita agora?
Júlia: Billie Holyday!
Clara: Qual foi a banda que mudou sua vida?
Júlia: Sunny Day Real State. Ouço Seven até hoje.
Clara: Só porque era o hit... Mas diga-me, esse pôster está aí ainda porque você continua a gostar deles, certo?
Júlia: Lógico. (um breve momento de silêncio). Tá entendi, você tem razão. (novo breve momento de silêncio).
Afinal, você concorda ou não que o Palocci é o melhor ministro do governo Lula?
Clara: Olha, depende. Ele tem uma equipe muito boa, o Joaquim Levy é um ótimo secretário do Tesouro. Eu particularmente gosto do estilo do Celso Amorim.
Júlia: Ah mas ele está fora. A política externa brasileira é absolutamente inequívoca.
Fim da cena seis
No quarto de Júlia, ela e a amiga Clara conversam.
Júlia: Eu estou cansada de ter de resolver os problemas para ele. Criamos um padrão em nosso relacionamento em que sempre que há um problema, o Pedro corre para os meus braços para eu resolver. Eu cansei disso. Acho que se quisermos avançar nesse relacionamento, ele terá de descobrir sozinho o que está acontecendo.
Clara: Júlia, o que você quer da vida?
Júlia: Ã?!
Clara: É você me entendeu. Qual caminho você quer traçar com o Pedro ou sozinha ou com qualquer Zé Mané ou qualquer Maria Manuela para desenvolver sua vida?
Júlia: Baixou a Zíbia Gasparetto em você, agora? Sei lá, Clara, eu estou de saco cheio do Pedro. Ele é um moleque de 24 anos que não quer responsabilidade nenhuma.
Clara: Você está sendo injusta com ele. O Pedro é um dos caras mais responsáveis que eu conheço e, em se tratando de vida profissional, ele é a pessoa mais ambiciosa de todos os tempos.
Júlia: Legal. Resultado: eu o assisto se desenvolver profissionalmente enquanto continua um adolescente em fase espinhosa durante nossas transas. Sabe para onde ele me levou na semana passada? Para assistir a um campeonato de Skate. E eu lá me importo que um tal de Bob Não-Sei-Das-Quantas vai competir.
Clara: Burnquist.
Júlia: O que?
Clara: Bob Burnquist, o skatista profissional.
Júlia: Esse mesmo. Enfim, eu quero mais que isso.
Clara: Pouco antes de vocês brigarem, ele cozinhou para você, com velas e tudo.
Júlia: Pouco antes de a gente brigar, a gente estava transando.
Clara: E foi bom?
Júlia: O que?
Clara: A comida.
Júlia: Qual delas?
Clara: Nossa menina, que mente suja.
Júlia: Desculpa, não poderia perder a oportunidade. Estava ótima!!
Clara: A transa?
Júlia: Não, essa foi mais ou menos. Você sabe que o Pedro é um excelente chef.
Clara: Ele quem me deu uns toques na cozinha. Sabe, eu li na VIP...
Júlia (interrompendo): Espera um pouco, você está lendo VIP.
Clara: Estava no banheiro do César.
Júlia: Aliás, quando você vai largar esse babaca?
Clara: Não me enche você também, vamos voltar ao assunto original. Eu li na VIP que os homens agora estão ficando mais confiantes e trocando suas namoradas por modelos?
Júlia: E você acredita na VIP?
Clara: E você acredita na Nova?
Júlia: Bem colocado. Mas isso não importa, o Pedro não vai me trocar por uma magrela. Até porque no quesito beleza ele é 6,5.
Clara: Esnobe. Eu acho ele um gato.
Júlia: Na transa 7,5.
Clara: Na cozinha 9,5
Júlia: Me agradando 10. Eu gosto para caralho daquele filho da puta, daquele crianção, daquele... Deixa para lá, eu gosto dele e ponto.
Clara: Então qual é o problema?
Júlia: O problema é que eu não tenho mais 19 anos querendo um namorico de portão em que meu namorado compõe uma música para mim depois de a gente transar, me leva no shopping center para tomar sorvete, passa o final de semana em casa e leva o videogame, assina canal pornô. Caramba, eu tenho 25 anos.
Clara: E como é o namoro quando a gente tem 25 anos?
Júlia: Sei lá como é. É diferente... Como se você soubesse.
Clara: Não faço idéia e não me preocupo com isso. Júlia, a gente simplesmente vive a vida. A gente não pode cobrar atitudes simplesmente por acharmos que elas não se enquadram em nossa faixa etária. O que estabelece que com 19 anos temos que ir ao shopping, com 25 vamos ao cinema (que muitas vezes fica num shopping), com 35 a gente conversa com outras mães na porta da escolinha dos filhos, com 45 a gente fala bem dos filhos no trabalho? Nada. Eu, por exemplo, quero chegar aos 45 anos assistindo Friends.
Júlia: Friends acabou.
Clara: Não as reprises. Eu adoro o Chandler.
Júlia: E eu adoro o Ross, ele é tão fofo. Sabe, eu queria ter um professor igualzinho a ele. Nossa, ele é tão inteligente e engraçado.
Clara (depois de um breve silêncio): Júlia, quando a gente tinha 19 anos, nós achávamos o George Clooney um gato e queríamos ter ele como instrutor da auto-escola.
Júlia: É verdade. O George Clooney é um gato também, se ele tivesse sido meu instrutor, eu nunca teria tirado minha habilitação.
Clara: Júlia, foco, meu amor. O que eu quero dizer que ambas estamos com 25 anos e discutindo sobre o mesmo assunto há 6 anos.
Clara: Qual a sua banda favorita agora?
Júlia: Billie Holyday!
Clara: Qual foi a banda que mudou sua vida?
Júlia: Sunny Day Real State. Ouço Seven até hoje.
Clara: Só porque era o hit... Mas diga-me, esse pôster está aí ainda porque você continua a gostar deles, certo?
Júlia: Lógico. (um breve momento de silêncio). Tá entendi, você tem razão. (novo breve momento de silêncio).
Afinal, você concorda ou não que o Palocci é o melhor ministro do governo Lula?
Clara: Olha, depende. Ele tem uma equipe muito boa, o Joaquim Levy é um ótimo secretário do Tesouro. Eu particularmente gosto do estilo do Celso Amorim.
Júlia: Ah mas ele está fora. A política externa brasileira é absolutamente inequívoca.
Fim da cena seis
5.24.2004
5.21.2004
Cena cinco
Júlia: Sabe, eu queria entender o que se passa na cabeça do Pedro. Eu queria por um momento ganhar o dom de ler pensamentos das pessoas, quer dizer, só do Pedro e só por alguns momentos. Acho que só assim eu o entenderia. Eu sei que é difícil manter um relacionamento, mas será que ele sabe? Caralho, mas será que eu não estou cobrando demais dele?
Lógico que não. Em algum momento ele tem que entender. Já faz um ano que a gente está junto e as coisas não parecem evoluir. Porra, a paixão é foda e o calor entre eu e ele é incrível. Eu deveria entender que ele gosta da sensação de estar apaixonado e extravasar todos os seus sentidos os direcionando para mim. O bom é que ele sabe ser comedido, nunca me senti sufocada ao lado dele ou por suas breguices.
A minha confusão não é em relação a o que eu sinto por ele, mas o que ele sente por mim e o que isso representará ao nosso futuro. Não estou querendo me imaginar com ele daqui 10 anos... (Ah vai isso seria maravilhoso...). Ele é um bosta, o cara mais volátil que eu conheço.
(Toca o interfone)
Júlia: Oi seu Jorge. Ah ok. Pode mandar subir.
Júlia rapidamente corre ao banheiro para escovar os dentes, lavar a cara e pentear os cabelos. Pedro chega com uma pizza embaixo do braço e tenta beijar Júlia, mas ela discretamente afasta seu rosto.
Pedro: Alguém pediu pizza? (Deixa a pizza em cima da mesa)
Júlia: Não estou com fome. O que você veio fazer aqui?
Pedro: Te ver. Preciso de um motivo?
Júlia: É sempre bom.
Pedro (começando a ficar com raiva): Qual o problema com você?
Júlia (com ironia): Problema? Nenhum.
Pedro: Vai ficar com ironiazinha babaca para cima de mim agora? Qual é o seu problema? Por que você foi embora daquele jeito? Eu sei que eu devo ter feito alguma merda e por isso eu peço desculpas.
Júlia: Desculpas sem saber a razão são vazias.
Pedro: Então conta o que eu fiz de errado.
Júlia: Você não fez nada de errado. Aliás, errado nessa história não tem ninguém. Melhor, acho que, na verdade, eu sou a inconveniente nessa história. Você... você... Pedro vai embora.
Pedro: O que está acontecendo entre nós? Eu quero saber qual foi o problema, a pedra, o cavalo que atravessou a estrada enquanto nós passávamos?
Júlia: Cavalo? Que cavalo? Você e suas frases “bem construídas”. Enfim, não quero discutir.
Pedro (enraivecido): Mas eu quero. Caralho, vamos resolver essa merda de problema que só na sua cabeça cheia de merda tem.
Júlia (gritando): Pedro, VAI EMBORA!!!!
Os dois ficam em silêncio.
Júlia: É sério, acho melhor você ir embora.
Pedro: Para nunca mais voltar?
Júlia: Você gosta de um melodrama, né?
Pedro: Adoro, principalmente daqueles filmes americanos em que o galã descobre faltando dois minutos para o final que o verdadeiro amor de sua vida é a vizinha feia que mora ao lado, mas por vicissitudes do cotidiano ele está há quilômetros de distância e tem que atravessar toda a cidade embaixo de chuva para dizer que a ama. E a gente nunca sabe se ele vai conseguir se declarar porque a garota está se despedindo do pai para ir fazer faculdade em outro estado. No final, tudo dá certo e eles se beijam loucamente sob a chuva. E quando o filme é bom mesmo, a garota está com uma blusinha branca que dá para ver os peitinhos dela. Adoro “Dez coisas que eu odeio em você.”
Júlia: “Dez coisas que eu odeio em você” não tem chuva, não tem paixões de última hora e o enredo é totalmente diferente do descrito por você.
Pedro: E eu chorei três vezes no filme.
Júlia: Eu sei. A gente assistiu juntos, não se lembra? Todas as cinco vezes.
Pedro: Adoro a protagonista, como é o nome dela?
Júlia: Julia Stiles.
Pedro: Gatinha, é por isso que eu te adoro!
Júlia: Pedro, vá embora!
Pedro: Não vou até você me explicar o que está acontecendo.
Júlia: Não é nada, só preciso de um tempo para pensar.
Pedro: Você ainda gosta de mim, certo?
Júlia: Pedro... (olha para baixo) vai embora.
Pedro: Mas acabou de começar a chover.
Fim da cena cinco
Júlia: Sabe, eu queria entender o que se passa na cabeça do Pedro. Eu queria por um momento ganhar o dom de ler pensamentos das pessoas, quer dizer, só do Pedro e só por alguns momentos. Acho que só assim eu o entenderia. Eu sei que é difícil manter um relacionamento, mas será que ele sabe? Caralho, mas será que eu não estou cobrando demais dele?
Lógico que não. Em algum momento ele tem que entender. Já faz um ano que a gente está junto e as coisas não parecem evoluir. Porra, a paixão é foda e o calor entre eu e ele é incrível. Eu deveria entender que ele gosta da sensação de estar apaixonado e extravasar todos os seus sentidos os direcionando para mim. O bom é que ele sabe ser comedido, nunca me senti sufocada ao lado dele ou por suas breguices.
A minha confusão não é em relação a o que eu sinto por ele, mas o que ele sente por mim e o que isso representará ao nosso futuro. Não estou querendo me imaginar com ele daqui 10 anos... (Ah vai isso seria maravilhoso...). Ele é um bosta, o cara mais volátil que eu conheço.
(Toca o interfone)
Júlia: Oi seu Jorge. Ah ok. Pode mandar subir.
Júlia rapidamente corre ao banheiro para escovar os dentes, lavar a cara e pentear os cabelos. Pedro chega com uma pizza embaixo do braço e tenta beijar Júlia, mas ela discretamente afasta seu rosto.
Pedro: Alguém pediu pizza? (Deixa a pizza em cima da mesa)
Júlia: Não estou com fome. O que você veio fazer aqui?
Pedro: Te ver. Preciso de um motivo?
Júlia: É sempre bom.
Pedro (começando a ficar com raiva): Qual o problema com você?
Júlia (com ironia): Problema? Nenhum.
Pedro: Vai ficar com ironiazinha babaca para cima de mim agora? Qual é o seu problema? Por que você foi embora daquele jeito? Eu sei que eu devo ter feito alguma merda e por isso eu peço desculpas.
Júlia: Desculpas sem saber a razão são vazias.
Pedro: Então conta o que eu fiz de errado.
Júlia: Você não fez nada de errado. Aliás, errado nessa história não tem ninguém. Melhor, acho que, na verdade, eu sou a inconveniente nessa história. Você... você... Pedro vai embora.
Pedro: O que está acontecendo entre nós? Eu quero saber qual foi o problema, a pedra, o cavalo que atravessou a estrada enquanto nós passávamos?
Júlia: Cavalo? Que cavalo? Você e suas frases “bem construídas”. Enfim, não quero discutir.
Pedro (enraivecido): Mas eu quero. Caralho, vamos resolver essa merda de problema que só na sua cabeça cheia de merda tem.
Júlia (gritando): Pedro, VAI EMBORA!!!!
Os dois ficam em silêncio.
Júlia: É sério, acho melhor você ir embora.
Pedro: Para nunca mais voltar?
Júlia: Você gosta de um melodrama, né?
Pedro: Adoro, principalmente daqueles filmes americanos em que o galã descobre faltando dois minutos para o final que o verdadeiro amor de sua vida é a vizinha feia que mora ao lado, mas por vicissitudes do cotidiano ele está há quilômetros de distância e tem que atravessar toda a cidade embaixo de chuva para dizer que a ama. E a gente nunca sabe se ele vai conseguir se declarar porque a garota está se despedindo do pai para ir fazer faculdade em outro estado. No final, tudo dá certo e eles se beijam loucamente sob a chuva. E quando o filme é bom mesmo, a garota está com uma blusinha branca que dá para ver os peitinhos dela. Adoro “Dez coisas que eu odeio em você.”
Júlia: “Dez coisas que eu odeio em você” não tem chuva, não tem paixões de última hora e o enredo é totalmente diferente do descrito por você.
Pedro: E eu chorei três vezes no filme.
Júlia: Eu sei. A gente assistiu juntos, não se lembra? Todas as cinco vezes.
Pedro: Adoro a protagonista, como é o nome dela?
Júlia: Julia Stiles.
Pedro: Gatinha, é por isso que eu te adoro!
Júlia: Pedro, vá embora!
Pedro: Não vou até você me explicar o que está acontecendo.
Júlia: Não é nada, só preciso de um tempo para pensar.
Pedro: Você ainda gosta de mim, certo?
Júlia: Pedro... (olha para baixo) vai embora.
Pedro: Mas acabou de começar a chover.
Fim da cena cinco
5.18.2004
Cena quatro
Pedro: Clara, desce aqui, preciso conversar com você.
Clara: Não vou descer, suba você.
Pedro: Mas sua mãe me odeia e não quero encontrar a bruaca.
Clara: Respeite à minha mãe. E ela não está. Suba! Eu estou fazendo uma coisinha para comer.
... ... ...
Clara (depois de atender à porta): O que você quer?
Pedro: A gente precisa conversar, existe um mal-entendido. Nossa, que cheiro bom, o que você está cozinhando?
Clara: Strogonoff.
Pedro: Foi de propósito, né? A extrapolação de seu sexto sentido resultou na convicção de minha visita, por isso inevitável tornou-se o preparo de meu prato favorito.
Clara: Arrogante. Olha, senta aí, a gente almoça e conversa.
Pedro: Beleza.
Pedro senta-se no sofá, coloca os pés na mesa de centro e começa a trocar os canais da televisão, enquanto Clara segue para a cozinha.
Pedro: Meu bem, me traz uma cerveja!
Clara: Pedro, vai tomar no cu!
Pedro: Por isso que a gente nunca deu certo, você nunca quis fazer as coisas que eu gosto.
Clara: Pedro, vai tomar no cu!
Ela volta da cozinha com uma travessa de strogonoff numa mão e a panela de arroz na outra.
Clara: Vai lá na cozinha e traz a batata palha.
Pedro: Beleza.
Pedro volta com a comida e ironiza: Está vendo só. Para ti, tudo faço, cara mia!
Clara: Babaca.
Eles sentam-se à mesa e começam a comer.
Clara: O que você tinha a falar?
Pedro: Pois é, acho que você já está sabendo do imbróglio com a Júlia. Eu queria te explicar.
Clara: Sim, estou sabendo. E não precisa explicar nada. Você não fez nada de errado.
Pedro: Sim, fiz. E quero acabar com os desentendimentos. Clara, meu bem, eu não estou apaixonado por você.
Clara: O que? Você ficou louco? Do que você está falando.
Pedro: Minha linda.
Clara (interrompendo): Odeio quando você me chama de minha linda.
Pedro (bruscamente): Como eu ia dizendo, eu sei que você acha que eu voltei a me apaixonar por você, mas isso não é verdade. Eu estou na da Júlia.
Clara: De onde surgiu isso? Quem te falou um absurdo desse, que eu estou apaixonada por você?
Pedro: Eu pressinto essas coisas!
Clara: Com o seu cu, né?
Pedro: Olha, eu usei o Manuel Bandeira na música porque eu achava que a Júlia gostava dele.
Clara: Certo, e ela gosta. Qual o problema?
Pedro: Mas, na verdade, quem gosta é.... Como assim?
Clara: O que?
Pedro: Ela gosta?
Clara: De quem?
Pedro: Do Manuel Bandeira.
Clara: Claro que gosta, seu idiota. E o que isso tem a ver com eu achar que você voltou a se “apaixonar” por mim?
Pedro: Nossa, segunda merda.Esqueça.
Clara: Esqueça, nada. Explique-se.
Pedro: Meu Deus, por onde começo?
Clara: Pelo início eu me satisfaria.
Pedro: Lembra quando eu te dei a porra do livro do Manuel Bandeira de aniversário?
Clara: Lembro, adorei. É o meu livro de cabeceira até hoje.
Pedro: Foi uma escolha a dedo. Eu lembro nos pormenores do brilho nos seus olhos e o espanto de sua face.
Clara: Óbvio, a gente tinha saído algumas poucas vezes e você já aparece com um presente.
Pedro: Um não, dois. Aliás, você me empresta o Smashing Pumpkins?
Clara: Está com o César.
Pedro: Você está com esse cara?! Puta que pariu, Clara. Ele é um babaca. Odeio ele.
Clara: Pelo menos, ele tem educação e minha mãe o adora.
Pedro: Mais um motivo para eu deprezá-lo. E você não merece um cara como ele. Você é linda e tem um potencial enorme, deveria buscar pessoas do seu nível.
Clara: Pedro, a gente não vai transar.
Pedro: O que?!!? Ficou louca. Eu não quero transar com você.
Clara: A Júlia é a minha melhor amiga, não seria certo com ela.
Pedro: E comigo? Seria demais de errado comigo também. Nem estou com vontade.
... ...
Clara: Pedro?
Pedro: Ã?
Clara: Você me acha sexy?
Pedro: Com absolutíssima certeza. Como eu já disse, você é uma das pessoas mais lindas e sexy que eu conheço, qualquer Zé Mané que consiga ficar contigo pode se considerar um bastardo sortudo. Por isso você não merece aquele babaca.
Clara: Mas ele gosta tanto de mim.
Pedro: Sorte dele, azar seu. Clara, vai por mim, você faz melhor.
Clara: Bom, mas enfim, e a explicação que você ainda está me devendo e continua me enrolando.
Pedro: Ué, mas a gente não ia transar?
Clara fica em silêncio atônita.
Pedro: Brincadeira!!!! Enfim, o começo da história é o seguinte: eu sabia que a Júlia tinha te contado sobre a música que eu fiz para ela e você achou que minha paixão subconsciente por você havia voltado.
Clara: Meu querido, não estou entendendo absolutamente nada. Com calma, por favor.
Pedro: A Júlia ficou brava com alguma coisa que eu não sei o que é. Conversando comigo mesmo, eu cheguei a conclusão que ela tinha ficado fudida com o fato de eu ter usado o Manuel Bandeira na música porque, eu achei, a fez lembrar de quando eu e você estávamos juntos.
Clara: Conversando com você mesmo? Enlouqueceu?
Pedro: Pois é. Na minha cabeça, ela tinha te contado isso e você chegou à conclusão de que meus sentimentos por ti haviam voltado!
Clara: E voltaram?
Pedro: Não. Eu gosto da Júlia e espero que ela ainda goste de mim.
Clara: Pedro, você não quer transar?
Pedro fica atônito.
Clara: Idiota. Cai na mesma brincadeira. A Júlia não está brava com você.
Pedro: Qual foi o problema, então?
Clara: Eu não sei, não ficou muito claro. Acho que vocês precisam conversar.
Pedro: É, acho que sim. Vou lá agora.
Pedro levanta-se rapidamente e sai avoado para a porta.
Clara: Pedro,acaba de comer pelo menos.
Pedro: Se eu acabar de comer, meu coração pode se esvair desanimado.
Clara: Você gosta mesmo ela?
Pedro: Da Júlia?
Fim da cena quatro.
Pedro: Clara, desce aqui, preciso conversar com você.
Clara: Não vou descer, suba você.
Pedro: Mas sua mãe me odeia e não quero encontrar a bruaca.
Clara: Respeite à minha mãe. E ela não está. Suba! Eu estou fazendo uma coisinha para comer.
... ... ...
Clara (depois de atender à porta): O que você quer?
Pedro: A gente precisa conversar, existe um mal-entendido. Nossa, que cheiro bom, o que você está cozinhando?
Clara: Strogonoff.
Pedro: Foi de propósito, né? A extrapolação de seu sexto sentido resultou na convicção de minha visita, por isso inevitável tornou-se o preparo de meu prato favorito.
Clara: Arrogante. Olha, senta aí, a gente almoça e conversa.
Pedro: Beleza.
Pedro senta-se no sofá, coloca os pés na mesa de centro e começa a trocar os canais da televisão, enquanto Clara segue para a cozinha.
Pedro: Meu bem, me traz uma cerveja!
Clara: Pedro, vai tomar no cu!
Pedro: Por isso que a gente nunca deu certo, você nunca quis fazer as coisas que eu gosto.
Clara: Pedro, vai tomar no cu!
Ela volta da cozinha com uma travessa de strogonoff numa mão e a panela de arroz na outra.
Clara: Vai lá na cozinha e traz a batata palha.
Pedro: Beleza.
Pedro volta com a comida e ironiza: Está vendo só. Para ti, tudo faço, cara mia!
Clara: Babaca.
Eles sentam-se à mesa e começam a comer.
Clara: O que você tinha a falar?
Pedro: Pois é, acho que você já está sabendo do imbróglio com a Júlia. Eu queria te explicar.
Clara: Sim, estou sabendo. E não precisa explicar nada. Você não fez nada de errado.
Pedro: Sim, fiz. E quero acabar com os desentendimentos. Clara, meu bem, eu não estou apaixonado por você.
Clara: O que? Você ficou louco? Do que você está falando.
Pedro: Minha linda.
Clara (interrompendo): Odeio quando você me chama de minha linda.
Pedro (bruscamente): Como eu ia dizendo, eu sei que você acha que eu voltei a me apaixonar por você, mas isso não é verdade. Eu estou na da Júlia.
Clara: De onde surgiu isso? Quem te falou um absurdo desse, que eu estou apaixonada por você?
Pedro: Eu pressinto essas coisas!
Clara: Com o seu cu, né?
Pedro: Olha, eu usei o Manuel Bandeira na música porque eu achava que a Júlia gostava dele.
Clara: Certo, e ela gosta. Qual o problema?
Pedro: Mas, na verdade, quem gosta é.... Como assim?
Clara: O que?
Pedro: Ela gosta?
Clara: De quem?
Pedro: Do Manuel Bandeira.
Clara: Claro que gosta, seu idiota. E o que isso tem a ver com eu achar que você voltou a se “apaixonar” por mim?
Pedro: Nossa, segunda merda.Esqueça.
Clara: Esqueça, nada. Explique-se.
Pedro: Meu Deus, por onde começo?
Clara: Pelo início eu me satisfaria.
Pedro: Lembra quando eu te dei a porra do livro do Manuel Bandeira de aniversário?
Clara: Lembro, adorei. É o meu livro de cabeceira até hoje.
Pedro: Foi uma escolha a dedo. Eu lembro nos pormenores do brilho nos seus olhos e o espanto de sua face.
Clara: Óbvio, a gente tinha saído algumas poucas vezes e você já aparece com um presente.
Pedro: Um não, dois. Aliás, você me empresta o Smashing Pumpkins?
Clara: Está com o César.
Pedro: Você está com esse cara?! Puta que pariu, Clara. Ele é um babaca. Odeio ele.
Clara: Pelo menos, ele tem educação e minha mãe o adora.
Pedro: Mais um motivo para eu deprezá-lo. E você não merece um cara como ele. Você é linda e tem um potencial enorme, deveria buscar pessoas do seu nível.
Clara: Pedro, a gente não vai transar.
Pedro: O que?!!? Ficou louca. Eu não quero transar com você.
Clara: A Júlia é a minha melhor amiga, não seria certo com ela.
Pedro: E comigo? Seria demais de errado comigo também. Nem estou com vontade.
... ...
Clara: Pedro?
Pedro: Ã?
Clara: Você me acha sexy?
Pedro: Com absolutíssima certeza. Como eu já disse, você é uma das pessoas mais lindas e sexy que eu conheço, qualquer Zé Mané que consiga ficar contigo pode se considerar um bastardo sortudo. Por isso você não merece aquele babaca.
Clara: Mas ele gosta tanto de mim.
Pedro: Sorte dele, azar seu. Clara, vai por mim, você faz melhor.
Clara: Bom, mas enfim, e a explicação que você ainda está me devendo e continua me enrolando.
Pedro: Ué, mas a gente não ia transar?
Clara fica em silêncio atônita.
Pedro: Brincadeira!!!! Enfim, o começo da história é o seguinte: eu sabia que a Júlia tinha te contado sobre a música que eu fiz para ela e você achou que minha paixão subconsciente por você havia voltado.
Clara: Meu querido, não estou entendendo absolutamente nada. Com calma, por favor.
Pedro: A Júlia ficou brava com alguma coisa que eu não sei o que é. Conversando comigo mesmo, eu cheguei a conclusão que ela tinha ficado fudida com o fato de eu ter usado o Manuel Bandeira na música porque, eu achei, a fez lembrar de quando eu e você estávamos juntos.
Clara: Conversando com você mesmo? Enlouqueceu?
Pedro: Pois é. Na minha cabeça, ela tinha te contado isso e você chegou à conclusão de que meus sentimentos por ti haviam voltado!
Clara: E voltaram?
Pedro: Não. Eu gosto da Júlia e espero que ela ainda goste de mim.
Clara: Pedro, você não quer transar?
Pedro fica atônito.
Clara: Idiota. Cai na mesma brincadeira. A Júlia não está brava com você.
Pedro: Qual foi o problema, então?
Clara: Eu não sei, não ficou muito claro. Acho que vocês precisam conversar.
Pedro: É, acho que sim. Vou lá agora.
Pedro levanta-se rapidamente e sai avoado para a porta.
Clara: Pedro,acaba de comer pelo menos.
Pedro: Se eu acabar de comer, meu coração pode se esvair desanimado.
Clara: Você gosta mesmo ela?
Pedro: Da Júlia?
Fim da cena quatro.
5.16.2004
Cena três., Lendo Manuel Bandeira sob chuva
Pedro (Assistindo a um programa de televisão): Mulheres, entendê-las? Será que a Júlia ainda gosta de mim? Foi tão estranho ela ter saído de repente de casa. O que eu fiz de errado? Aposto que ela estava naqueles dias. Babaca! Lógico que não, a gente tinha acabado de transar. Pedro, às vezes você é muito burro mesmo.
(Nossa, esses caras que fazem comédia de improviso são muito bons. Eu não teria capacidade e ser tão espirituoso como eles).
Acho que a assustei com a música. Eu sabia que deveria ter tido o acompanhamento do violão. Quando a gente ouve música nunca presta atenção nas letras, só quando a gente ouve essas músicas sertanejas ou a bosta do Legião Urbana.
O que deu nela fugir daquele jeito?
Tomou tanto tempo escrever uma merda de letra daquele jeito. Caralho, até fui atrás do Manuel Bandeira que ela gosta tanto. Ela gosta de Manuel Bandeira, né? Claro, porra! Eu até dei um livro do Manuel Bandeira para ela de aniversário. Lembro como se fosse hoje, a gente no estacionamento do prédio dela, eu entreguei um CD do Smashing Pumpkins e um livro do Manuel Bandeira. Caralho, mas isso faz um tempão, foi no começo do nosso namoro. Há quanto tempo a gente namora? Nossa, deve fazer uns cinco anos. Puta que pariu, como você é exagerado. Em 12 de dezembro fará um ano. Espera aí, mas esse fato aconteceu há mais tempo. E o prédio da Júlia não tem estacionamento... ... CARALHO, Eu dei a porra do Manuel Bandeira para a CLARA quando a gente ficou juntos. PUTA QUE PARIU, eu sou muito burro. Pronto, foi isso. Ela ficou puta da vida comigo porque eu fiz uma citação que a lembrou de quando eu e a Clara saíamos.
Preciso ligar para ela, melhor não. Ela não vai querer falar comigo e é muito humilhante implorar para alguém querer falar com você. Preciso consertar isso de algum jeito. Vou ligar para a Clara.
(E aproveitar para pedir emprestado o CD do Smashing Pumpkins).
Pedro: Clara?
Clara: O que você quer?
Júlia: Quem é?
Pedro: A Júlia está com você?
Clara: Fala logo o que você quer?
Pedro: Clara, eu caguei, fiz uma merda imensa e a Júlia está puta da vida comigo e quero consertar.
Clara: Me liga daqui a pouco, não posso falar agora.
Pedro: Não, espera. É rápido.
Clara: Não posso falar agora!
Pedro: Mas Clara?
... ...
Pedro: Puta que pariu, a filha da puta desligou na minha cara. Pronto, aposto que ela também está fula comigo também. Ela deve estar achando que eu voltei a me apaixonar por ela, e ter usado Manuel Bandeira numa música para a Júlia foi uma manifestação de meu subconsciente, um sentimento prescrito que foi aguçado momentaneamente e revelou-se como a verdadeira paixão que por ela há muito tenho escondido. Caralho, vou ter de me explicar para a bendita Clara também. Realmente não deveria ter feito uma música para a Júlia.
Fim da cena três
Pedro (Assistindo a um programa de televisão): Mulheres, entendê-las? Será que a Júlia ainda gosta de mim? Foi tão estranho ela ter saído de repente de casa. O que eu fiz de errado? Aposto que ela estava naqueles dias. Babaca! Lógico que não, a gente tinha acabado de transar. Pedro, às vezes você é muito burro mesmo.
(Nossa, esses caras que fazem comédia de improviso são muito bons. Eu não teria capacidade e ser tão espirituoso como eles).
Acho que a assustei com a música. Eu sabia que deveria ter tido o acompanhamento do violão. Quando a gente ouve música nunca presta atenção nas letras, só quando a gente ouve essas músicas sertanejas ou a bosta do Legião Urbana.
O que deu nela fugir daquele jeito?
Tomou tanto tempo escrever uma merda de letra daquele jeito. Caralho, até fui atrás do Manuel Bandeira que ela gosta tanto. Ela gosta de Manuel Bandeira, né? Claro, porra! Eu até dei um livro do Manuel Bandeira para ela de aniversário. Lembro como se fosse hoje, a gente no estacionamento do prédio dela, eu entreguei um CD do Smashing Pumpkins e um livro do Manuel Bandeira. Caralho, mas isso faz um tempão, foi no começo do nosso namoro. Há quanto tempo a gente namora? Nossa, deve fazer uns cinco anos. Puta que pariu, como você é exagerado. Em 12 de dezembro fará um ano. Espera aí, mas esse fato aconteceu há mais tempo. E o prédio da Júlia não tem estacionamento... ... CARALHO, Eu dei a porra do Manuel Bandeira para a CLARA quando a gente ficou juntos. PUTA QUE PARIU, eu sou muito burro. Pronto, foi isso. Ela ficou puta da vida comigo porque eu fiz uma citação que a lembrou de quando eu e a Clara saíamos.
Preciso ligar para ela, melhor não. Ela não vai querer falar comigo e é muito humilhante implorar para alguém querer falar com você. Preciso consertar isso de algum jeito. Vou ligar para a Clara.
(E aproveitar para pedir emprestado o CD do Smashing Pumpkins).
Pedro: Clara?
Clara: O que você quer?
Júlia: Quem é?
Pedro: A Júlia está com você?
Clara: Fala logo o que você quer?
Pedro: Clara, eu caguei, fiz uma merda imensa e a Júlia está puta da vida comigo e quero consertar.
Clara: Me liga daqui a pouco, não posso falar agora.
Pedro: Não, espera. É rápido.
Clara: Não posso falar agora!
Pedro: Mas Clara?
... ...
Pedro: Puta que pariu, a filha da puta desligou na minha cara. Pronto, aposto que ela também está fula comigo também. Ela deve estar achando que eu voltei a me apaixonar por ela, e ter usado Manuel Bandeira numa música para a Júlia foi uma manifestação de meu subconsciente, um sentimento prescrito que foi aguçado momentaneamente e revelou-se como a verdadeira paixão que por ela há muito tenho escondido. Caralho, vou ter de me explicar para a bendita Clara também. Realmente não deveria ter feito uma música para a Júlia.
Fim da cena três
5.13.2004
Por el suelo, Manu Chao
Por el suelo hay una compadrita
Que ya nadie se para a mirar
Por el suelo hay una mamacita
Que se muere de no respetar
Patchamama te veo tan triste
Patchamama me pongo a llorar...
Esperando la ltima ola
Cudate no te vayas a mojar
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
Por el suelo camina mi pueblo
Por el suelo hay un agujero
Por el suelo camina la raza
Mamacita te vamos a matar...
Esperando la ltima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
Por el suelo camina mi pueblo
Por el suelo moliendo condena
Por el suelo el infierno quema
Por el suelo la raza va ciega...
Esperando la ltima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
Por el suelo hay una compadrita
Que ya nadie se para a mirar
Por el suelo hay una mamacita
Que se muere de no respetar
Patchamama te veo tan triste
Patchamama me pongo a llorar...
Esperando la ltima ola
Cudate no te vayas a mojar
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
Por el suelo camina mi pueblo
Por el suelo hay un agujero
Por el suelo camina la raza
Mamacita te vamos a matar...
Esperando la ltima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
Por el suelo camina mi pueblo
Por el suelo moliendo condena
Por el suelo el infierno quema
Por el suelo la raza va ciega...
Esperando la ltima ola
Patchamama me muero de pena
Escuchando la ltima rola
Mamacita te invito a bailar...
5.11.2004
Cena dois.
Júlia: Acho que fui insensível.
Clara: Mas você saiu da casa dele do nada? Ele te recita um poema tão lindo e você vai embora?
Júlia: Não era um poema!
Clara: Faz diferença?
Júlia: Sei lá, acho que sim.
Clara: Eu não te entendo!
Júlia: Olha, eu sei que não faz diferença. Mas com o Pedro é diferente. Ele não é muito bom com as palavras, ele tenta e às vezes consegue escrever alguma coisa bonitinha. Ah sei lá...
Clara: Sério, você não está fazendo sentido. Eu sei que o Pedro pode ser difícil, ele é muito egoísta às vezes, mergulha de cabeça num sentimento e acha que encontrou a razão para ele viver. Mas acho deveria dar-lhe crédito. Afinal, vocês estão juntos há quase um ano e, na cabeça dele, tenho certeza que são 5.
Júlia: Dar-lhe?
Clara: Chama-se ênclise. Estou tendo aulas particulares de português.
Júlia: Legal.
Clara: Mas, enfim, o Pedro só quer mostrar para você qual a sua importância na vida dele.
Júlia: Eu sei. Mas é que eu fico com medo de apaixonar-me por um cara como ele.
Clara: Bonito. Está aprendendo a colocação pronominal!
Júlia: Obrigada. O Pedro é o tipo do cara que fala um milhão de palavras com um gesto simples, que diz as coisas mais belas usando gírias e falando palavrão. Quando ele elabora muito um pensamento só sai merda. E dessa vez pareceu tão elaborado e não saiu merda. Foi tão lindo.
Clara: Com direito a Manuel Bandeira, que eu adoro.
Júlia: Pois é. E tem outra coisa. Ao mesmo tempo em que ele parece ter feito algo sem precedentes, ele usa um artifício banal. Você sabe como ele é, para todas as meninas que ele saiu, comeu, ou se apaixonou há uma música.
Clara: E a sua demorou para vir. Precisou dar para ele quantas vezes?
Júlia: Isso não importa. (abrindo um sorriso). Eu até já começava a achar que ele nunca faria uma música para mim. Na verdade, eu queria que ele não fizesse uma música para mim.
Fim da cena dois.
Júlia: Acho que fui insensível.
Clara: Mas você saiu da casa dele do nada? Ele te recita um poema tão lindo e você vai embora?
Júlia: Não era um poema!
Clara: Faz diferença?
Júlia: Sei lá, acho que sim.
Clara: Eu não te entendo!
Júlia: Olha, eu sei que não faz diferença. Mas com o Pedro é diferente. Ele não é muito bom com as palavras, ele tenta e às vezes consegue escrever alguma coisa bonitinha. Ah sei lá...
Clara: Sério, você não está fazendo sentido. Eu sei que o Pedro pode ser difícil, ele é muito egoísta às vezes, mergulha de cabeça num sentimento e acha que encontrou a razão para ele viver. Mas acho deveria dar-lhe crédito. Afinal, vocês estão juntos há quase um ano e, na cabeça dele, tenho certeza que são 5.
Júlia: Dar-lhe?
Clara: Chama-se ênclise. Estou tendo aulas particulares de português.
Júlia: Legal.
Clara: Mas, enfim, o Pedro só quer mostrar para você qual a sua importância na vida dele.
Júlia: Eu sei. Mas é que eu fico com medo de apaixonar-me por um cara como ele.
Clara: Bonito. Está aprendendo a colocação pronominal!
Júlia: Obrigada. O Pedro é o tipo do cara que fala um milhão de palavras com um gesto simples, que diz as coisas mais belas usando gírias e falando palavrão. Quando ele elabora muito um pensamento só sai merda. E dessa vez pareceu tão elaborado e não saiu merda. Foi tão lindo.
Clara: Com direito a Manuel Bandeira, que eu adoro.
Júlia: Pois é. E tem outra coisa. Ao mesmo tempo em que ele parece ter feito algo sem precedentes, ele usa um artifício banal. Você sabe como ele é, para todas as meninas que ele saiu, comeu, ou se apaixonou há uma música.
Clara: E a sua demorou para vir. Precisou dar para ele quantas vezes?
Júlia: Isso não importa. (abrindo um sorriso). Eu até já começava a achar que ele nunca faria uma música para mim. Na verdade, eu queria que ele não fizesse uma música para mim.
Fim da cena dois.
5.10.2004
Estou escrevendo um folhetim em forma de diálogo, pensado para ser o roteiro de uma peça de teatro. O título, como já perceberam, mudou diversas vezes. O último definitivo-provisório é "Lendo Manuel Bandeira sob a chuva". A cada três dias eu vou publicar uma cena. A primeira é essa que segue na mensagem abaixo.
Ah, hoje estréia a sessão de links. Ali, encontrarão uns blogs e fotologs bem bacanas, além do link para a página da Naomi Klein, No Logo.
Ah, hoje estréia a sessão de links. Ali, encontrarão uns blogs e fotologs bem bacanas, além do link para a página da Naomi Klein, No Logo.
5.08.2004
Lendo Manuel Bandeira sob chuva
Cena Um:
Júlia: Estou com saudades.
Pedro: Por que? Estou aqui do seu lado.
Júlia: Porque sim. Acho que temos um problema!
Pedro: Claro! Você está com saudades ao meu lado.
... ...
Pedro: Vai ficar calada?
Júlia: Será que a gente está fazendo a coisa certa?
Pedro: Olha, eu fiz uma música para você. Chama-se "Distante".
Júlia: Tá vendo só... até você percebeu que há algo estranho. Não acha esquisito eu virar do nada e falar que estou com saudades (Pedro tenta interromper). Não, me ouça. A intimidade não é mais suficiente. Eu me pergunto se estamos fazendo a coisa certa porque em alguns momentos eu não consigo vislumbrar futuro entre nós. Estou aqui do seu lado e desde que eu cheguei você não olhou nos meus olhos (Tenta mais uma interrupção). Preste atenção, é importante. Parece que você está com medo de alguma coisa. Eu sei que essa história de compromisso contigo sempre foi foda, mas aparentemente você está mudando.
Pedro: Estou mesmo.
Júlia: Às vezes parece que você progrediu, mas na maioria das vezes você está distante, concentrado em qualquer coisa menos em mim. Você não acha estranho ter 24 anos e só um namoro ter durado mais de 2 meses?
Pedro: Você está ignorando o fato de eu ter feito uma música para você, o que é algo super romântico. Eu não conheço muitos casais que o cara faz uma música para sua mina sem ser dia dos namorados, aniversário, reveillon, natal ou rosh hashanah. E o título da música não importa....
Júlia (interrompendo): Eu não quero saber da bosta de uma estúpida música, eu quero que você preste atenção em mim. Você nem prestou atenção na pergunta que te fiz. Larga essa merda de violão. Eu estou falando uma coisa muito séria. Você consegue ver futuro entre nós?
Pedro: Primeira resposta: Não acho. Segunda reposta: Se ao menos você ouvisse a música que fiz, você entenderia. Olha, eu não canto, só vou ler a letra. Pode ser?
Júlia: Qual futuro?
Pedro: Esse futuro distante/Que nos aproxima cada vez mais/Um sussurro calado/A absolvição de estar ao seu lado. Esse futuro distante/Que acalenta e dá calafrios/E reconforta, e alivia, e suaviza, e consola, e anima. Nesse futuro distante/Eu queria repor/Se soubesse repor/Em seu coração/As mais puras alegrias de tua infância!
... ...
Pedro: Gostou? Quer dizer, o finalzinho é uma adaptação de uma poesia do Manuel Bandeira, o resto fui eu quem escreveu. Será que você entende?
Júlia: Aparentemente, não.
Fim da cena um.
Cena Um:
Júlia: Estou com saudades.
Pedro: Por que? Estou aqui do seu lado.
Júlia: Porque sim. Acho que temos um problema!
Pedro: Claro! Você está com saudades ao meu lado.
... ...
Pedro: Vai ficar calada?
Júlia: Será que a gente está fazendo a coisa certa?
Pedro: Olha, eu fiz uma música para você. Chama-se "Distante".
Júlia: Tá vendo só... até você percebeu que há algo estranho. Não acha esquisito eu virar do nada e falar que estou com saudades (Pedro tenta interromper). Não, me ouça. A intimidade não é mais suficiente. Eu me pergunto se estamos fazendo a coisa certa porque em alguns momentos eu não consigo vislumbrar futuro entre nós. Estou aqui do seu lado e desde que eu cheguei você não olhou nos meus olhos (Tenta mais uma interrupção). Preste atenção, é importante. Parece que você está com medo de alguma coisa. Eu sei que essa história de compromisso contigo sempre foi foda, mas aparentemente você está mudando.
Pedro: Estou mesmo.
Júlia: Às vezes parece que você progrediu, mas na maioria das vezes você está distante, concentrado em qualquer coisa menos em mim. Você não acha estranho ter 24 anos e só um namoro ter durado mais de 2 meses?
Pedro: Você está ignorando o fato de eu ter feito uma música para você, o que é algo super romântico. Eu não conheço muitos casais que o cara faz uma música para sua mina sem ser dia dos namorados, aniversário, reveillon, natal ou rosh hashanah. E o título da música não importa....
Júlia (interrompendo): Eu não quero saber da bosta de uma estúpida música, eu quero que você preste atenção em mim. Você nem prestou atenção na pergunta que te fiz. Larga essa merda de violão. Eu estou falando uma coisa muito séria. Você consegue ver futuro entre nós?
Pedro: Primeira resposta: Não acho. Segunda reposta: Se ao menos você ouvisse a música que fiz, você entenderia. Olha, eu não canto, só vou ler a letra. Pode ser?
Júlia: Qual futuro?
Pedro: Esse futuro distante/Que nos aproxima cada vez mais/Um sussurro calado/A absolvição de estar ao seu lado. Esse futuro distante/Que acalenta e dá calafrios/E reconforta, e alivia, e suaviza, e consola, e anima. Nesse futuro distante/Eu queria repor/Se soubesse repor/Em seu coração/As mais puras alegrias de tua infância!
... ...
Pedro: Gostou? Quer dizer, o finalzinho é uma adaptação de uma poesia do Manuel Bandeira, o resto fui eu quem escreveu. Será que você entende?
Júlia: Aparentemente, não.
Fim da cena um.
5.06.2004
Gostaria de saber quem foi a caridosa alma que deixou a mensagem "tenta" no comments. Se possível, para me aprofudar nas idéias? Trocar experiências!
Foi você Tche? Manda um e-mail no tiagopariz@hotmail.com. Abs.
Se foi a parte interessada (e se foi, é óbvio, as dicas são muito claras que é você), mande um e-mail para eu ter certeza de que devo agir assim. Te ligo em seguida. Afinal, vc já disse que por e-mail as coisas ficam muito mais fáceis de serem ditas. Neste caso, a distância é um fator desinibidor, não é mesmo?!
Foi você Tche? Manda um e-mail no tiagopariz@hotmail.com. Abs.
Se foi a parte interessada (e se foi, é óbvio, as dicas são muito claras que é você), mande um e-mail para eu ter certeza de que devo agir assim. Te ligo em seguida. Afinal, vc já disse que por e-mail as coisas ficam muito mais fáceis de serem ditas. Neste caso, a distância é um fator desinibidor, não é mesmo?!
5.03.2004
Vale a menção ao nobre poeta;
O impossível carinho (Manuel Bandeira)
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
O impossível carinho (Manuel Bandeira)
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
Do livro de etiquetas do sexo:
-Se ele enfiar o dedo na sua boceta, vc fica obrigada a socar uma punheta para ele.
-Caso haja sexo oral, seria deselegante deixá-lo duro sem um boquetinho.
-Se ele quiser anal, rejeite uma vez por educação, mas faça cara que adoraria levar por trás
-Não tenha medo de pegar na bunda dele, porém se acidentalmente enfiar um dedo no seu ânus, é permitido que ele ejacule na sua cara. Nessas horas, cara de desejo ardente por suquinho é necessária.
-Prolongue-se no sexo oral, porém chupar bolas é muito esquisito
-Lembre-se papai e mamãe é coisa de religioso, sexo de quatro, conchinha e cavalgada são as posições preferidas das mulheres com as quais os homens preferem casar.
-Se ele der um tapa na sua cara, peça gentilmente outro.
-Durante o sexo oral, é deselegante fechar os olhos e fazer cara de nojo. A etiqueta manda que você olhe em seus olhos e faça cara de cadela sem dono.
-Se ele enfiar o dedo na sua boceta, vc fica obrigada a socar uma punheta para ele.
-Caso haja sexo oral, seria deselegante deixá-lo duro sem um boquetinho.
-Se ele quiser anal, rejeite uma vez por educação, mas faça cara que adoraria levar por trás
-Não tenha medo de pegar na bunda dele, porém se acidentalmente enfiar um dedo no seu ânus, é permitido que ele ejacule na sua cara. Nessas horas, cara de desejo ardente por suquinho é necessária.
-Prolongue-se no sexo oral, porém chupar bolas é muito esquisito
-Lembre-se papai e mamãe é coisa de religioso, sexo de quatro, conchinha e cavalgada são as posições preferidas das mulheres com as quais os homens preferem casar.
-Se ele der um tapa na sua cara, peça gentilmente outro.
-Durante o sexo oral, é deselegante fechar os olhos e fazer cara de nojo. A etiqueta manda que você olhe em seus olhos e faça cara de cadela sem dono.
Esse negócio de comentários é bacana, porém muito triste. É um indicativo que ninguém lê as merdas que eu escrevo aqui, ou que elas são tão idiotas que não merecem comentários. Bem, estou com um princípio de dor de garganta e dor no corpo, o que significa que Gripe´s up. Que saco, não tenho minha mãe para cuidar de mim...
"Tudo o que eu queria dizer é que sempre foi você. Nunca existiu outra"
"Tudo o que eu queria dizer é que sempre foi você. Nunca existiu outra"
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