Está na Mônica Bergamo desta terça-feira:
NA MIRA
Assim como o banco Itaú, a Universidade Mackenzie quer manter seu logotipo em letras garrafais na cidade depois da Lei Cidade Limpa. A instituição recorreu à comissão que analisa casos que serão excluídos das novas regras para manter o círculo vermelho, com a letra "M" no meio, que fica na rua da Consolação. "O símbolo fica na cobertura, coisa que a gente está execrando. E me parece que não obedece os critérios para ficar lá, como ter mais de dez anos, boa qualidade gráfica e ser referência na região", diz Regina Monteiro, presidente da comissão. O Mackenzie não se manifesta sobre o tema.
Eu sou favorável a manter o M na Consolação. O Mackenzie tem status de instituição brasileira. Claro, por um único motivo: foi a escola que me abrigou durante o colegial. Rock on!
9.03.2007
tiago is situated in macau's prestigious residential area at the tip of the macau peninsula
tiago is neither a spaniard nor a mestizo
tiago is situated in the center of the town it is surrounded by the alentejan plains
tiago is one of the most skilled drivers in fukenricen
tiago is a very welcome addition to the city's portfolio
tiago is situated in the center of the town
tiago is considered the unofficial patron of cocheros and jockeys
tiago is an outstanding soccer player
tiago is not only a hero to us
tiago is suspended after collecting a second booking
tiago is particularly worth a visit and our clients are made especially welcome
tiago is an exclusive 24 bedroom converted fortress dating back to 1740
tiago is in boston
tiago is a perfect reflection of sporting elegance which is an integral part of his lifestyle
tiago is a decent young midfielder
tiago is brazilian from porto alegre as well and we had studied together since 1st grade
tiago is a brazilian
tiago is flying back to portugal tomorrow for a tv show that is kind of like a talent show but better and he's going to play the guitar
tiago is a little bit like going back in time
tiago is recognized as the most charming spot in macau
tiago is one of the best we have at disguise and infiltration
tiago is seen wearing an n'sync shirt
tiago is going to drive in a car race or something
tiago is a very talented and skillful player
tiago is the president of flec
tiago is back
Tirando a parte de Macau, de Porto Alegre, usando a camiseta do N'Sync e aparecendo num show de TV de Portugal. Acho que a definição é correta, sou, de fato, um fabuloso jogador de futebol. Sou um ótimo agente infiltrado para operações secretas. Eu gostaria de voltar no tempo. Sou um meio-campo jovem e decente. Sou um baita piloto. E sou um herói, oras bolas.
PS: Esse sou eu em Pirenópolis (GO) num momento de refrescância antes de um almoção do sucesso com a patroa.
8.21.2007
A Newsweek publicou nesta semana fotografias de Jonathan Torgovnik que retratou mulheres que deram à luz a crianças frutos do estupro durante a guerra civil de Ruanda, que ocorreu há mais de 10 anos.Em cada foto, a mulher aparece ao lado do filho. Mulher porque nenhuma delas sente-se mãe. Abaixo das fotografias segue uma frase. Elas mostram um horror inimaginável.
Josiane Ruyange - "Tenho 27 anos. O genocídio começou quando eu tinha 15. Eu fui estuprada e como resultado tive um filho. Eu não odeio meu filho. Eu também não o amo. Mas eu acho que me sinto confortável ao lado dele. Eu sei que falhei como mãe por causa da pobreza. Às vezes olho a minha situação e vejo pessoas que mantiveram as suas famílias. Eu lamento não ter morrido no genocídio".
Annasalie Mukabayizera - "Após seis meses eu achei que estava grávida. Foi quando eu queria ter morrido. Eu pensei em me matar. Daí, eu pensei em ter o filho e matá-lo logo depois do nascimento. Mas quando eu dei a luz, vi que meu filho era tão lindo que eu passei a amá-lo imediatamente. Depois de um tempo, descobri que nós dois somos HIV positivos. Não há nada de ruim no mundo que nós não sabemos o que é".
Claudin Mukakalisa - "Vou ser honesta. Nunca amei esta criança. Quando eu lembro o que o pai dela fez comigo, eu penso que a única vingança seria matar essa criança. Eu não fiz isso. Ainda bem que eu não fiz isso. Eu me forcei a amá-la. Mas é impossível amar essa criança".
Aline Uwinbabazi - "Eu dei à luz, mas não amo essa criança. Sempre foi um problema. A filha da minha irmã morreu, mas a minha sobreviveu. Mais tarde descobri que tenho Aids. Minha irmã e mãe também têm Aids. Hoje eu tenho um desafio. Ser mãe quando não quero ser mãe. Eu não amo essa criança. Toda vez que eu olho para ela, eu lembro de cenas do estupro. Eu tento porque eu sei que ela é inocente. Eu tento amá-la, mas não consigo".
Claudine Mukamurenzi - "O mundo nos rejeitou quando estávamos tendo problemas. Eu ficaria feliz se o mundo nos ajudasse a levar justiça para todas as pessoas que nos causaram mal. Todas as vítimas de estupro, como eu, tornaram-se mãe sem estar preparadas para isso. O mundo, ao menos, poderia nos ajudar a cuidar dessas crianças".
Há um único testemunho um pouco positivos:
Verena Uwingabira - "Eu não sei quantos homens me estupraram. Só sei que depois de quatro meses, descobri que estava grávida. Eu fiquei tão mal que tentei me matar duas vezes. Mas uma voz dentro de mim me dizia: 'Olha, você não sabe porque você sobreviveu. Deve ter alguma razão para você ter sobrevivido.' Eu juntei coragem e dei à luz a uma criança que se parece comigo. Essa é a fonte da minha felicidade".
8.14.2007
Gosto de músicas que te faz pensar. Gosto ainda mais quando a música que te faz pensar é de uma banda que você gosta. Essa música abaixo, "Dopeman", me faz pensar. When the decision comes down what would you do? Ainda bem não tive que passar por essa experiência, nem de perto, nem de longe. A minha decisão foi fácil. Estudar para construir uma carreira honesta. Ponto. Mas e se a minha realidade fosse diferente. What would I do? E você faria o que? A foto aí do lado é uma cena cotidiana da cracolândia, em São Paulo.Less Than Jake - Dopeman
Dopeman dopeman's got another big plan
to sell it to you or anyone he can
because this is much better than minimum wage
no matter how things work he's still gonna get paid
think about it for a minute more -it's either work at McDonalds or the corner store
a quick money fix from a deal or 2
when a decision comes down
what would you do?
you take - take a welfare state
or a dopeman's fate
and keep the cycle spinnin' round
dopeman dopeman's got the upperhand
people wanna get as much as they can
because those reasons they'll always stay the same
and for some people it's the only way to stay sane
and think about it for a minute more -a life of crime or hangin' round the liquor store
a quick drug fix to get you through
when the decision comes down
what would you do?
8.09.2007

Pare* e pense. Tenho um leve sentimento de decepção. Ele surgiu e cresceu. Não foi hoje. Nem ontem. Nem anteontem. Mas não faz um ano. Nem um mês. Talvez algumas semanas. Não sei bem.
O texto telegráfico é interessante. Ele mostra um pensamento continuo. Sem fluxo. Porém retilíneo. Coeso, conciso e limitado. Diz tudo em parágrafos. Não impõe vírgulas. Nem apostos. Não precisa de explicação. Ele é auto-explicativo.
Eu, diferente, da telegrafia, sou prolixo e impreciso. Falo muito para explicar poucas ações. Penso em profusão. Não tenho sentido nenhum. O sentido vem em sentenças longas. Muitas vezes incorretas. Expostas em solavancos.
Essa introdução imobiliária, hipotecária, bancária e em rede, é só para preparar uma reflexão um pouco exaustiva. Uma reflexão sobre amizades e sobre distância e sobre crescimento e sobre amadurecimento e sobre família e sobre parceria.
Tenho sensações diversas quando descubro por telefone, e-mail, blog, mensagem de texto, voz ou dados que algo está diferente nas pessoas, na família, nos amigos que conheço, que cresci junto, mas que hoje crescem separadas. Fico triste ao saber que um casou ou que um reatou um namoro ou que um trocou de emprego ou que está brigado com alguém ou que está decepcionado/feliz com alguma coisa. Fico triste não por inveja ou por sadismo. Fico triste porque não pude estar lá para participar desse evento/emoção/reação. Simples assim. Fico triste ao saber que cada vez mais eu sei menos sobre meus amigos e sobre a minha família.
Antes eu tinha relatos cotidianos sobre o que se passava com todos eles. Hoje, está bem mais difícil. Sei apenas das grandes decisões, dos grandes eventos, das grandes avalanches. Nada de rotina. Nada de nada. E sei também que eles sabem cada vez menos das várias coisas que acontecem na minha vida. Não sabem sobre como é a minha relação no trabalho, como é idiossincrática e bela a vida com a minha namorada. Jamais saberão que no final de semana briguei com um flanelinha qualquer porque outro flanelinha qualquer amassou deliberadamente meu carro.
Enfim, queria estar mais presente. Mas diante da decisão de crescer longe resta manter-me atento à todas as grandes reflexões/eventos/emoções que acometem a todos. E continuar ligado no telefone, e-mail, blog, mensagem de texto, voz ou dados.
*Para ler essa mensagem é preciso sincronizá-la com a versão de Country Roads, feita por Me First and the Gimme Gimmes
7.29.2007
Abaixo seguem cinco músicas e discos que escutei nessa última semana.
Músicas:
Triple Trouble, Beastie Boys
Campfire Kansas, The Get Up Kids
Sinking, Rehasher
The Science of Selling Yourself Short, Less Than Jake
Mi Confession, Gotan Project
Discos:
Let’s Talk About Feelings, Lagwagon
On a Wire, The Get Up Kids
The Mix Up, Beastie Boys
Here’s to Shutting Up, Superchunk
Living in Darkness, Agent Orange
Músicas:
Triple Trouble, Beastie Boys
Campfire Kansas, The Get Up Kids
Sinking, Rehasher
The Science of Selling Yourself Short, Less Than Jake
Mi Confession, Gotan Project
Discos:
Let’s Talk About Feelings, Lagwagon
On a Wire, The Get Up Kids
The Mix Up, Beastie Boys
Here’s to Shutting Up, Superchunk
Living in Darkness, Agent Orange
7.24.2007
Hoje fui trabalhar ouvindo uma canção maneiríssima que me deixa muito contente e animado para a labuta: "Campfire Kansas". A música descreve uma viagem de bote inflável rio abaixo. Um cenário bucólico com árvores, passarinhos, o sol aquecendo uma brisa levemente gelada e as estrelas adornando o cenário.
Sempre que ouço essa música tenho duas recordações, a primeira diz respeito aos contos de Hemingway sobre as aventuras de Nick Adams pescando e caçando em alguma parte de Michigan. A segunda é uma história de Charlie Brown sobre um dia num acampamento. A turma disputa uma corrida de canoas, tem que se virar para fazer um fogo no meio da floresta, passa frio, calor, apuros, mas se diverte como nunca. O filme se chama "Run For Your Life, Charlie Brown", lançado em 1977. Eu queria me divertir como o Snoopy no desenho abaixo.
woke up at eight, started the fire
had a few drinks, we all felt inspired
jumped in the stream, our shoes and canteens
the water was bitter cold
laid in the raft till it started moving
the current just sang, the song was so soothing
we stopped along the way
on a beach in the sun on a beautiful day
our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything
by noon we had swung the ropes in the woods
missed all danger, snakes and the floods
burnt by the rays and next to our legs, the water so bitter cold
lunch had been saved along with the lighters
wet cigarettes serve us as reminders
never trust a man with the food, change of clothes, and a drink in his hand
our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything
the sun would set, the stars would shine
the trees would shake, we'd all feel fine
let's take the moon and make it shine for everyone
we laughed away the sunburn
as we laughed away the day
what we lost means nothing
for the memories will stay
caught the last bus with no time to linger
driver seemed to be missing a finger
i turned and looked away to the bus, gravel road and a beautiful day
our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything
the sun will set, the stars would shine
the trees would shake, we'd all feel fine
let's take the moon and make it shine for everyone
let's take the moon and make it shine for everyone
7.19.2007
Segundo dia do acidente da TAM
Especificações do Airbus 320
Envergadura 34,1m
Cumprimento 37,6m
Altura 11,8m
Assentos 166
Peso bruto 67.000kg
Velocidade máxima 840km/h(M0.77)
Altitude máxima 11.900m
Capacidade de vôo 2.380km
Distância para decolagem 1.650 m
Cumprimento 37,6m
Altura 11,8m
Assentos 166
Peso bruto 67.000kg
Velocidade máxima 840km/h(M0.77)
Altitude máxima 11.900m
Capacidade de vôo 2.380km
Distância para decolagem 1.650 m
Distância para pouso 1.550 m
Tanque de combustível 6.300 U.S.G.
Horsepower do motor 11,340kg x 2
Tanque de combustível 6.300 U.S.G.
Horsepower do motor 11,340kg x 2
7.18.2007
Dia seguinte ao acidente aéreo da TAM, em Congonhas. Eu tenho certo receio de viajar de avião. Fico apreensivo e um tanto nervoso. Os sintomas são redução da respiração, sudorização e aumento da freqüência cardíaca, ou seja, clássicos do nervosismo. Em Brasília, somos obrigados a voar frequentemente. Alguns colegas que tinham passagem marcada para São Paulo, justamente em Congonhas, estão trocando para Guarulhos. Eu fico me questionando se a saída seria justamente jogar a toalha e não voar nunca mais. Eu também recorro ao seguinte senso comum: se a solução para não se envolver em acidente é não utilizar mais o meio de locomoção, eu deveria desistir de dirigir, de andar de ônibus ou eventualmente navio. Isso é simplesmente ridículo. Se eu desistir de me locomover rapidamente ou em velocidade normal de um ponto A a um ponto B, eu simplesmente deveria desistir de viver ou trabalhar. Não é um acidente como esse ou como o da Gol em setembro do ano passado que me fará desistir de voar (obviamente, isso não quer dizer que estarei mais ou menos nervoso quando entrar num avião, aliás, provavelmente estarei mais).O meu medo é que a rotina acomodada nos leve a aceitar a situação como normal, que é o que já acontece com o transporte rodoviário, e contentar-se com explicações de que a pista de Congonhas estava inacabada, que algum equipamento do Airbus 320 falhou ou que o piloto errou ao tomar alguma decisão no momento crucial. Acidentes desse tipo são inaceitáveis. Dois acidentes aéreos com um intervalo de cerca de 10 meses é inaceitável. A situação da aviação aérea beira o caos. Os problemas vão desde a malha aérea até a busca excessiva ou descontrolada por dinheiro e riqueza pelas companhias aéreas. A administração pública em todos os três níveis devem fazer uma ampla checagem em todos os aeroportos do país, na aparelhagem do controle aéreo e se disponibilizar a tomar medidas polêmicas e impopulares como: redução dos números de vôos, restrição do uso de Congonhas e Santos Dumont e inspeção de qualidade nas empresas aéreas.
Hoje fiquei sem vontade de escrever sobre música.
7.08.2007

Arctic Monkeys, Interpol, The Killers, Bloc Party, Hard-Fi, Maximo Park, Muse, Razorlight, Snow Patrol, Arcade Fire, The Fratellis, The Libertines, The Strokes, The Raconteurs, The Subways, We are Scientists, Kings of Leon, Bright Eyes, Built to Spill. Essas são algumas das bandinhas cultuadas pelo meio indie internacional vidrado na crítica musical do eixo Londres-NY. Em alguns momentos mais introspectivos, eu me pergunto se não deveria ter um ouvido mais "antenado" com as tendências, afinal o último disco* que baixei na Internet foi "Resolve", do Lagwagon, banda que escuto desde 1995 (mais ou menos).
Fico me perguntando o que de tão bom as pessoas ouvem no disco Neon Bible, do Arcade Fire, ou porque a molecada do Macacos Árticos são tão inovadores. Então, resolvi ceder, resolvi dar o braço a torcer. Primeiro li as críticas dos últimos discos das duas bandas. Em palavras, elas parecem fantásticas, inovadoras, desafiadoras, afinal o que de ruim poderia ter uma banda de rock orquestrado de Montreal, Canadá? Fiquei empolgadíssimo. Pensei: "Essa banda vai revolucionar minha vida. Vai ser o Beastie Boys dos anos 2000. Vou ser um novo homem".
Fui para o tudo ou nada. Baixei o disco inteiro. Mas como estava demais ansioso, não consegui esperar o disco inteiro estar disponível no meu computador. Logo coloquei para tocar a primeira música que terminou de puxar: "Black Mirror". Meio estranho... Veio a segunda: "Bad Vibrations". Estou prestes a desistir, mas como diz o ditado popular, a gente só passa a gostar de sarapatel depois da terceira garfada. Então, insisti: "Ocean of Noise". 10 segundos, 35 segundos, 1 minuto e sete segundos, 1 minuto e nove segundos... parei. É impossível ouvir esse som. O vocalista parece constipado, parece aflito para acabar logo a gravação e poder ir ao banheiro aliviar o caminho do intestino. Horroso. Arcade Fire é resultado de um casamento entre Enya e Genesis. Inaudível.
Com o trauma causado por esse rock orquestrado chatíssimo, desisti de baixar as músicas e fui a um site que vende CDs, para ouvir só os teasers. Fui atrás de The Killers, Bloc Party e Interpol. The Killers tem uma música conhecida, legalzinho, Bloc Party é só isso e... Interpol? Não vale a pena. Esse rock indie alternativo mitificado pelos "entendidos" da crítica musical é só uma maneira, renovada, de vender quase-rock tudo igual. Expoente dessa tendência, White Strips a sintetiza: é rock sem baixo, rock sem peso, rock n roll estruturado, organizado. Essa coisa alternativa é horrorosa, quase sonífera. A capa do disco do Hellacopters, reproduzida aí em cima, resume o sentimento.
Enfim, até escrever sobre elas é exaustivo. Por isso, vou parar por aqui. Não sei porquê depois de um Agent Orange, fiquei com vontade de ouvir "I Hate Music", do Replacements.
*o último disco que baixei, de fato, não foi Resolve, do Lagwagon, mas Lunatico, do The Gotan Project, que é de uma nova tendência musical. Ok, esse projeto tango revisitado está na lista de músicas dos iPods dessa galera alternativazinha. Tá no meu iPod também. Mas, em minha defesa... Ah foda-se Gotan Project é legal pra caralho e o rap de Mi Confession é bom demais.
Fico me perguntando o que de tão bom as pessoas ouvem no disco Neon Bible, do Arcade Fire, ou porque a molecada do Macacos Árticos são tão inovadores. Então, resolvi ceder, resolvi dar o braço a torcer. Primeiro li as críticas dos últimos discos das duas bandas. Em palavras, elas parecem fantásticas, inovadoras, desafiadoras, afinal o que de ruim poderia ter uma banda de rock orquestrado de Montreal, Canadá? Fiquei empolgadíssimo. Pensei: "Essa banda vai revolucionar minha vida. Vai ser o Beastie Boys dos anos 2000. Vou ser um novo homem".
Fui para o tudo ou nada. Baixei o disco inteiro. Mas como estava demais ansioso, não consegui esperar o disco inteiro estar disponível no meu computador. Logo coloquei para tocar a primeira música que terminou de puxar: "Black Mirror". Meio estranho... Veio a segunda: "Bad Vibrations". Estou prestes a desistir, mas como diz o ditado popular, a gente só passa a gostar de sarapatel depois da terceira garfada. Então, insisti: "Ocean of Noise". 10 segundos, 35 segundos, 1 minuto e sete segundos, 1 minuto e nove segundos... parei. É impossível ouvir esse som. O vocalista parece constipado, parece aflito para acabar logo a gravação e poder ir ao banheiro aliviar o caminho do intestino. Horroso. Arcade Fire é resultado de um casamento entre Enya e Genesis. Inaudível.
Com o trauma causado por esse rock orquestrado chatíssimo, desisti de baixar as músicas e fui a um site que vende CDs, para ouvir só os teasers. Fui atrás de The Killers, Bloc Party e Interpol. The Killers tem uma música conhecida, legalzinho, Bloc Party é só isso e... Interpol? Não vale a pena. Esse rock indie alternativo mitificado pelos "entendidos" da crítica musical é só uma maneira, renovada, de vender quase-rock tudo igual. Expoente dessa tendência, White Strips a sintetiza: é rock sem baixo, rock sem peso, rock n roll estruturado, organizado. Essa coisa alternativa é horrorosa, quase sonífera. A capa do disco do Hellacopters, reproduzida aí em cima, resume o sentimento.
Enfim, até escrever sobre elas é exaustivo. Por isso, vou parar por aqui. Não sei porquê depois de um Agent Orange, fiquei com vontade de ouvir "I Hate Music", do Replacements.
*o último disco que baixei, de fato, não foi Resolve, do Lagwagon, mas Lunatico, do The Gotan Project, que é de uma nova tendência musical. Ok, esse projeto tango revisitado está na lista de músicas dos iPods dessa galera alternativazinha. Tá no meu iPod também. Mas, em minha defesa... Ah foda-se Gotan Project é legal pra caralho e o rap de Mi Confession é bom demais.
7.06.2007

MCA deu uma entrevista para a Folha hoje. Entre outras coisas, ele diz que as bases das músicas de "The Mix Up" foram concebidas para ter vocais por cima. Como já disse aí embaixo, uma das faixas, "Off the Grid", caberia perfeitamente a voz estridente do Adrock, como em Sabotage. A entrevista tem partes que valem a pena outras não. A crítica é ridícula. Até porque quem leu a minha resenha, está muito mais informado sobre "The Plan".
Quem não teve oportunidade de ler a matéria, segue ela aí embaixo:
"
Garotos tangerina
Trio Beastie Boys deixa o rap e faz CD instrumental influenciado por Mutantes e pelo suco de mexerica de um boteco do Rio
ADRIANA FERREIRA SILVA
EDITORA DO GUIA DA FOLHA
Nada de samples, toca-discos ou baterias eletrônicas. E, principalmente, nada de rap. Assim é "The Mix-Up", novo disco do Beastie Boys, que surpreende os fãs com um álbum instrumental do início ao fim.
Não bastasse a inusitada falta de rimas, "The Mix-Up" tem um algo a mais para os brasileiros. Uma das músicas se chama "Suco de Tangerina"-frutinha que está retratada também na capa do CD.Marcada por riffs de guitarra e reverberações de dub, "Suco de Tangerina" ganhou este nome após o trio experimentar o tal refresco em uma lanchonete carioca durante sua passagem pelo Brasil, no ano passado.
A iguaria já havia sido exaltada por eles durante a apresentação no Tim Festival, mas há outros mistérios por trás da faixa do que só a fruta: "Essa música é dedicada à Brigitte Bardot e Jorge Ben", falou Adam "MCA" Yauch à Folha."Quando estávamos no Rio, fomos a um lugar chamado "BB Lanches" [casa de sucos em Ipanema], que fazia uns lanches enormes", lembra MCA. "Descobrimos que o lugar se chamava "BB" porque Brigitte Bardot costumava almoçar lá quando estava na cidade. E descobrimos também que ela teve um "affair" com Jorge Ben! Então, "Suco de Tangerina" foi feita para Bardot e Jorge Ben."
A empolgação com a "descoberta" foi tanta que, segundo MCA, eles pensaram até em batizar o disco de "BB Lanches", idéia abandonada posteriormente -mas que não seria nada mal..."The Mix-Up" (leia crítica na pág. E2) traz outras referências nacionais que vão além da gastronomia. A composição "14th St. Break", por exemplo, tem uma pegada de bateria que lembra a percussão do samba."Ouvimos muita música brasileira", confirma MCA. "Há alguma influência de samba, mas o que mais escutamos foi bossa nova e canções antigas, lentas. E, claro, há a psicodelia dos Mutantes", diz ele.
Quando começou a gravar, há cerca de um ano, o trio não tinha a intenção de fazer um CD instrumental, afirma MCA."Nosso último lançamento, "To the 5 Boroughs" [2004] era totalmente hip hop, com samples, programações, seqüenciadores, sintetizadores, baterias eletrônicas", detalha. "Nesse, a primeira coisa que começamos a registrar foram os instrumentos. Queríamos fazer um mix entre eles e os beats.
"No estúdio, os três rappers, Mike D (bateria), MCA (baixo) e Adam "Ad Rock" Horovitz (bateria), juntaram-se ao quarto Beastie Boys, o tecladista Mark Nishita, o Money Mark, e ao percussionista Alfredo Ortiz -ambos colaboradores de longa data-, iniciando sessões de improvisação marcadas por climas psicodélicos, rock e dub."A idéia era gravar as bases instrumentais e, depois, colocar os vocais", recorda MCA. "Mas, quando começamos a retrabalhar as músicas, achamos que elas estavam muito boas e decidimos terminar o disco sem as vozes."
Sétimo trabalho de estúdio da banda -que tem ainda uma leva de EPs, singles etc.-, "The Mix-Up" não é o primeiro disco instrumental do Beastie Boys. Em 1996, eles lançaram "The in Sound from Way Out!", coletânea que reunia faixas sem vocais retiradas dos álbuns "Check Your Head" (1992) e "Ill Communication" (1994).
Espírito retrô
Por trás de "The Mix-Up", no entanto, há um conceito que MCA define como "a falta de regras" e o "uso de equipamentos que marcaram os anos 70 e início dos 80". Assim, a maior parte das faixas foi feita ao vivo, em jam sessions, e, as interferências, resumem-se a "overdubs" (trechos de gravações incluídos após a música pronta).A sonoridade, diz ele, tem influências dos já citados Mutantes, além do dub de Lee Perry e King Tubby, e de bandas como The Clash, The Specials, Silver Apes e Can, entre outros.E eles voltarão a rimar? "Claro", garante MCA. "Finalmente colocamos esse álbum instrumental para fora de nossas cabeças. Voltaremos às rimas."
"
Quem não teve oportunidade de ler a matéria, segue ela aí embaixo:
"
Garotos tangerina
Trio Beastie Boys deixa o rap e faz CD instrumental influenciado por Mutantes e pelo suco de mexerica de um boteco do Rio
ADRIANA FERREIRA SILVA
EDITORA DO GUIA DA FOLHA
Nada de samples, toca-discos ou baterias eletrônicas. E, principalmente, nada de rap. Assim é "The Mix-Up", novo disco do Beastie Boys, que surpreende os fãs com um álbum instrumental do início ao fim.
Não bastasse a inusitada falta de rimas, "The Mix-Up" tem um algo a mais para os brasileiros. Uma das músicas se chama "Suco de Tangerina"-frutinha que está retratada também na capa do CD.Marcada por riffs de guitarra e reverberações de dub, "Suco de Tangerina" ganhou este nome após o trio experimentar o tal refresco em uma lanchonete carioca durante sua passagem pelo Brasil, no ano passado.
A iguaria já havia sido exaltada por eles durante a apresentação no Tim Festival, mas há outros mistérios por trás da faixa do que só a fruta: "Essa música é dedicada à Brigitte Bardot e Jorge Ben", falou Adam "MCA" Yauch à Folha."Quando estávamos no Rio, fomos a um lugar chamado "BB Lanches" [casa de sucos em Ipanema], que fazia uns lanches enormes", lembra MCA. "Descobrimos que o lugar se chamava "BB" porque Brigitte Bardot costumava almoçar lá quando estava na cidade. E descobrimos também que ela teve um "affair" com Jorge Ben! Então, "Suco de Tangerina" foi feita para Bardot e Jorge Ben."
A empolgação com a "descoberta" foi tanta que, segundo MCA, eles pensaram até em batizar o disco de "BB Lanches", idéia abandonada posteriormente -mas que não seria nada mal..."The Mix-Up" (leia crítica na pág. E2) traz outras referências nacionais que vão além da gastronomia. A composição "14th St. Break", por exemplo, tem uma pegada de bateria que lembra a percussão do samba."Ouvimos muita música brasileira", confirma MCA. "Há alguma influência de samba, mas o que mais escutamos foi bossa nova e canções antigas, lentas. E, claro, há a psicodelia dos Mutantes", diz ele.
Quando começou a gravar, há cerca de um ano, o trio não tinha a intenção de fazer um CD instrumental, afirma MCA."Nosso último lançamento, "To the 5 Boroughs" [2004] era totalmente hip hop, com samples, programações, seqüenciadores, sintetizadores, baterias eletrônicas", detalha. "Nesse, a primeira coisa que começamos a registrar foram os instrumentos. Queríamos fazer um mix entre eles e os beats.
"No estúdio, os três rappers, Mike D (bateria), MCA (baixo) e Adam "Ad Rock" Horovitz (bateria), juntaram-se ao quarto Beastie Boys, o tecladista Mark Nishita, o Money Mark, e ao percussionista Alfredo Ortiz -ambos colaboradores de longa data-, iniciando sessões de improvisação marcadas por climas psicodélicos, rock e dub."A idéia era gravar as bases instrumentais e, depois, colocar os vocais", recorda MCA. "Mas, quando começamos a retrabalhar as músicas, achamos que elas estavam muito boas e decidimos terminar o disco sem as vozes."
Sétimo trabalho de estúdio da banda -que tem ainda uma leva de EPs, singles etc.-, "The Mix-Up" não é o primeiro disco instrumental do Beastie Boys. Em 1996, eles lançaram "The in Sound from Way Out!", coletânea que reunia faixas sem vocais retiradas dos álbuns "Check Your Head" (1992) e "Ill Communication" (1994).
Espírito retrô
Por trás de "The Mix-Up", no entanto, há um conceito que MCA define como "a falta de regras" e o "uso de equipamentos que marcaram os anos 70 e início dos 80". Assim, a maior parte das faixas foi feita ao vivo, em jam sessions, e, as interferências, resumem-se a "overdubs" (trechos de gravações incluídos após a música pronta).A sonoridade, diz ele, tem influências dos já citados Mutantes, além do dub de Lee Perry e King Tubby, e de bandas como The Clash, The Specials, Silver Apes e Can, entre outros.E eles voltarão a rimar? "Claro", garante MCA. "Finalmente colocamos esse álbum instrumental para fora de nossas cabeças. Voltaremos às rimas."
"
7.02.2007
6.27.2007
Eu jamais entendo, nunca me esforcei a entender, apesar de tentar ver com os olhos de outrem no momento derradeiro, segundos antes da decisão racional. O instante final, quando se levanta a última vontade contra a própria vida, é irracional. Sem chances de ouvir uma palavra de alento, sem horizonte e perto do fim.
Centenas de bandas já escreveram sobre o tema. Samiam compôs "Dull"; Nofx, "Doornails"; Pennywise, "Bro Hymn"; Lagwagon, "Sad Astronaut".
Eu me pergunto se todo mundo já cogitou realmente, alguma vez na vida, não querer mais estar por aqui.
Sad Astronaut, Lagwagon
As you sat on the bed
Moments from your end
Inconceivable dread
Inches from your head
I can’t bear to imagine you
In that horror scene
One too sad to be
In my mind's eye
I am there
Embracing you so scared
Now you kill me too
You killed me too
Decidedly willing to lie for you
Absolutely willing to cry for you
Ill at ease in saying goodbye to you
A part of me will never know
I am there, again, intervals of red
An accomplice to
Things I couldn't do
In a fable disabled
I say words like foolish son
God what have you done
I'm a thin blue cliché, hopelessly
I'm a mouthful of doubtful
Decidedly willing to lie for you
Say again
Willing to cry for you
Finally saying goodbye to you
A part of you I'll never know
Looking through the spyglass in a punctured sky
While your garden died
You couldn't see the sky for your fallen stars
Endless in your arms
You were still alive even as the sad astronaut
Centenas de bandas já escreveram sobre o tema. Samiam compôs "Dull"; Nofx, "Doornails"; Pennywise, "Bro Hymn"; Lagwagon, "Sad Astronaut".
Eu me pergunto se todo mundo já cogitou realmente, alguma vez na vida, não querer mais estar por aqui.
Sad Astronaut, Lagwagon
As you sat on the bed
Moments from your end
Inconceivable dread
Inches from your head
I can’t bear to imagine you
In that horror scene
One too sad to be
In my mind's eye
I am there
Embracing you so scared
Now you kill me too
You killed me too
Decidedly willing to lie for you
Absolutely willing to cry for you
Ill at ease in saying goodbye to you
A part of me will never know
I am there, again, intervals of red
An accomplice to
Things I couldn't do
In a fable disabled
I say words like foolish son
God what have you done
I'm a thin blue cliché, hopelessly
I'm a mouthful of doubtful
Decidedly willing to lie for you
Say again
Willing to cry for you
Finally saying goodbye to you
A part of you I'll never know
Looking through the spyglass in a punctured sky
While your garden died
You couldn't see the sky for your fallen stars
Endless in your arms
You were still alive even as the sad astronaut
6.25.2007
Em alguns momentos, poucos não muitos, gostaria de ser a pessoa mais truculenta do mundo. Como na música: "Eu prefiro me sentar, simplesmente fumar cigarros e ser aquele com a boca mais barulhenta e ter mente mais fechada do mundo". O problema é que não fumo.
Tango porteño
Recomendo a banda Gotan Project. São 10 pessoas no palco: programador eletrônico, quarteto de cordas, piano de cauda, violão e acordeon. Fantástico. Eles tocaram em bsb no domingo.
Explicação para o grupo que mistura tango com eletrônica: "We really wanted to explore both tango and folkloric music from Argentina a lot further than we had before," says parisian Philippe Cohen Solal . "That's why many of the tracks are really classically tango-orientated, very traditional patterns that people like (Anibal) Troilo would use."
No último disco, eles exploraram a mistura do tango com rap. Dois MCs buenarense foram chamados para a tarefa. Na apresentação de Brasília, os dois foram incorporados ao grupo através de telões. A combinação foi primorosa.
A banda tem três albuns Lunático (2006); Inspiración-Espiración (2004) e La Revancha del Tango (2001). São belíssimos.
Tango porteño
Recomendo a banda Gotan Project. São 10 pessoas no palco: programador eletrônico, quarteto de cordas, piano de cauda, violão e acordeon. Fantástico. Eles tocaram em bsb no domingo.
Explicação para o grupo que mistura tango com eletrônica: "We really wanted to explore both tango and folkloric music from Argentina a lot further than we had before," says parisian Philippe Cohen Solal . "That's why many of the tracks are really classically tango-orientated, very traditional patterns that people like (Anibal) Troilo would use."
No último disco, eles exploraram a mistura do tango com rap. Dois MCs buenarense foram chamados para a tarefa. Na apresentação de Brasília, os dois foram incorporados ao grupo através de telões. A combinação foi primorosa.
A banda tem três albuns Lunático (2006); Inspiración-Espiración (2004) e La Revancha del Tango (2001). São belíssimos.
6.18.2007
Vale a pena conferir:
http://www.dominiopublico.gov.br
É um site mantido pela Secretaria de Educação à Distância, do Ministério da Educação. Lá pode-se encontrar todas as obras em português de domínio público, além de Shakespeare em português e inglês, Júlio Verne em francês e inglês, Julio Cesar em latim, Honoré de Balzac em inglês e francês. É um acervo enorme que inclui ainda músicas eruditas, fotografias e pinturas.
Apesar dos boatos que circulam na Internet, o site não será desativado, como garantiu a assessoria da SED.
http://www.dominiopublico.gov.br
É um site mantido pela Secretaria de Educação à Distância, do Ministério da Educação. Lá pode-se encontrar todas as obras em português de domínio público, além de Shakespeare em português e inglês, Júlio Verne em francês e inglês, Julio Cesar em latim, Honoré de Balzac em inglês e francês. É um acervo enorme que inclui ainda músicas eruditas, fotografias e pinturas.
Apesar dos boatos que circulam na Internet, o site não será desativado, como garantiu a assessoria da SED.
6.12.2007
The Mix Up: A mistura da continuidade
O novo disco dos Beastie Boys a ser lançado em 26 de junho, “The Mix Up”, com a promessa de inovação, combina surpreendente com o “déjà vu”.
O álbum começa com conversas quase inaudíveis entre Mike D, Adrock, o percursionista Alfredo Ortiz e alguém chamado Tom. Mike D solicita o início da gravação. Adrock pede a Ortiz estabelecer o tempo da música, que responde: “I feel naked, brother”.
A primeira faixa “B for my Name” não tem nada de novo. E muito por conta do teclado de MoneyMark. Inspirada no acid jazz de Jimmy Smith, ela sobre, até a exaustão, da mesmice. Se Mark Nishita cansa a igualdade na primeira, na segunda “14th St. Break” começa a aparecer alguma inovação. A guitarra de Adrock tem uma frase suave e “catchy” lembrando, talvez, James Brown em início de carreira.
O cool funk entra solto em “Suco de Tangerina”, homenagem ao Brasil, “Electric Worm”, “Freak Hijiki” e “The Melee". A primeira é uma música alegre para levantar o espírito de um final de tarde de sexta-feira. A segunda abaixa o volume, pára para pensar e prepara o ritmo novamente agitado com “Freak Hijiki”. “The Melee” chega ao auge, numa mescla adequada de tangerina com limão.
As músicas mais esquisitas do disco são “The Gala Event” e “Dramastically Different”. Ambas são sombrias. Na primeira, a guitarra é cheia de efeito. MoneyMark lança algumas notas pontuais. “The Gala Event” parece trilha sonora de algum episódio maluco de Perdidos no Espaço com terno Armani de US$ 2.000. A segunda está toda funkeada é como se os Beastie Boys estivessem tocando num barzinho do subúrbio de Nova Délhi. A guitarra está tão precisa que lembra uma cítara.
As melhores músicas do disco são “Off the Grid” e “Rat Cage”, justamente as duas que ganharam versões em vídeos, que foram feitos por MCA. Ambas são carregadas pelo baixo de Adam Yauch, no melhor estilo “Stand Together”, de “Check Your Head”. “Off the Grid” abusa de tão boa. Começa tranqüila, com um solinho limpo de guitarra. Dá até para se pensar num vocal agressivo estilo “Sabotage”. Vozes cairiam como uma luva em “Off the Grid”. “Rat Cage” começa com o baixo mal tocado e “trastejando”, jargão musical para o som metálico que sai das cordas. Parece que MCA não conseguiu tirar corretamente os harmônicos do instrumento. O proposital não funcionou, a impressão de um “lazy bass” sobressai-se na música. Se eles tentaram inovar e fazer um rock sem saber explicar foi nessas duas faixas.
“Cousin of Death” flerta com esquisitice e rock n roll. O baixo bem distorcido dança com o órgão. A guitarra é ardida e está escondida para não tirar as ondas do baixo. Se os ouvidos são exigentes, “The Mix Up” vale somente por essas três músicas.
O disco acaba com “The Kangaroo Rat”, a seqüência de “Cousin of Death”. Tem um começo óbvio, lembra “Shambala”, de “Ill Communication”, mas acaba por ganhar um ritmo mais acelerado. Infelizmente, ela fica perto de deslanchar e pára por aí.
O que se pode concluir é que Mike D conseguiu expandir seu conhecimento quadrado da bateria (talvez por conta da ajuda de Ortiz na percussão). Adrock sabe como ninguém usar o efeito “wah wah”. MCA é o responsável por carregar todas as músicas com o baixo. Mark Nishita poderia ter tentado ousar. Beira a mesmice.
Backstage
O trio nova-iorquino conseguiu extrapolar os limites da música escorando-se pelo seguinte tripé: talento, inovação e marketing. São pioneiros pelos seguintes fatores:
1) Com origem no punk rock, eram brancos a fazer hip hop;
2) Compuseram um disco (Paul’s Boutique) com bases inteiramente sampleadas, algo que hoje seria um projeto inviável pelo custo de direitos autorais;
3) Com Paul’s Boutique não atingiram as mesmas vendas astronômicas do primeiro álbum (Licensed to Ill), mesmo assim resolveram compor um álbum (Check Your Head) meclando faixas de rap, hardcore e instrumentais funkeadas-jazzísticas. Voltaram ao topo.
4) Organizaram cinco edições de um festival de conscientização para situação do Tibet: o Tibetan Freedom Concert. Na quarta edição, os shows ocorreram no mesmo 13 de junho em Amsterdam, Chicago/Wisconsin, Sydney, Tokyo
5) Lançaram em 2006 uma vídeo experimentação de um show em Nova York. O filme “Awesome I fucking shot that”, feito com a participação de 50 câmeras distribuídas pela platéia, recebeu prêmios.
Esses cinco pontos reforçam os quesitos talento e inovação do grupo. E foi graças a esse envolvimento e aos processos de public awareness que o grupo foi ganhando experiência no marketing. Logo depois de lançar o último álbum “To the 5 Boroughs”, anunciaram que retornariam às origens do rock e lançariam novamente um disco inteiramente instrumental, diferente e mais pesado do que já foi feito com “Check Your Head” e “Ill Communication” (1994). Isso instigou a curiosidade de fãs ao redor do mundo.
Em março e abril, os dois meses escolhidos para o trio realizar o media label do novo disco, frase de Mike D que grudou em todos os cantos foi: “É um disco diferente, não consigo descrevê-lo”.
“The Mix Up” “vazou”, numa ação meticulosa do trio, quase um mês antes da data oficial de lançamento 26 de junho. O resultado é um disco recheado pelo instrumentalismo inovador e atrevido dos Beastie Boys. Tem tudo para ser mais um disco aclamado. Mas esqueça de procurar com afinco as diferenças. It’s just another beastie plan!
O novo disco dos Beastie Boys a ser lançado em 26 de junho, “The Mix Up”, com a promessa de inovação, combina surpreendente com o “déjà vu”.
O álbum começa com conversas quase inaudíveis entre Mike D, Adrock, o percursionista Alfredo Ortiz e alguém chamado Tom. Mike D solicita o início da gravação. Adrock pede a Ortiz estabelecer o tempo da música, que responde: “I feel naked, brother”.
A primeira faixa “B for my Name” não tem nada de novo. E muito por conta do teclado de MoneyMark. Inspirada no acid jazz de Jimmy Smith, ela sobre, até a exaustão, da mesmice. Se Mark Nishita cansa a igualdade na primeira, na segunda “14th St. Break” começa a aparecer alguma inovação. A guitarra de Adrock tem uma frase suave e “catchy” lembrando, talvez, James Brown em início de carreira.
O cool funk entra solto em “Suco de Tangerina”, homenagem ao Brasil, “Electric Worm”, “Freak Hijiki” e “The Melee". A primeira é uma música alegre para levantar o espírito de um final de tarde de sexta-feira. A segunda abaixa o volume, pára para pensar e prepara o ritmo novamente agitado com “Freak Hijiki”. “The Melee” chega ao auge, numa mescla adequada de tangerina com limão.
As músicas mais esquisitas do disco são “The Gala Event” e “Dramastically Different”. Ambas são sombrias. Na primeira, a guitarra é cheia de efeito. MoneyMark lança algumas notas pontuais. “The Gala Event” parece trilha sonora de algum episódio maluco de Perdidos no Espaço com terno Armani de US$ 2.000. A segunda está toda funkeada é como se os Beastie Boys estivessem tocando num barzinho do subúrbio de Nova Délhi. A guitarra está tão precisa que lembra uma cítara.
As melhores músicas do disco são “Off the Grid” e “Rat Cage”, justamente as duas que ganharam versões em vídeos, que foram feitos por MCA. Ambas são carregadas pelo baixo de Adam Yauch, no melhor estilo “Stand Together”, de “Check Your Head”. “Off the Grid” abusa de tão boa. Começa tranqüila, com um solinho limpo de guitarra. Dá até para se pensar num vocal agressivo estilo “Sabotage”. Vozes cairiam como uma luva em “Off the Grid”. “Rat Cage” começa com o baixo mal tocado e “trastejando”, jargão musical para o som metálico que sai das cordas. Parece que MCA não conseguiu tirar corretamente os harmônicos do instrumento. O proposital não funcionou, a impressão de um “lazy bass” sobressai-se na música. Se eles tentaram inovar e fazer um rock sem saber explicar foi nessas duas faixas.
“Cousin of Death” flerta com esquisitice e rock n roll. O baixo bem distorcido dança com o órgão. A guitarra é ardida e está escondida para não tirar as ondas do baixo. Se os ouvidos são exigentes, “The Mix Up” vale somente por essas três músicas.
O disco acaba com “The Kangaroo Rat”, a seqüência de “Cousin of Death”. Tem um começo óbvio, lembra “Shambala”, de “Ill Communication”, mas acaba por ganhar um ritmo mais acelerado. Infelizmente, ela fica perto de deslanchar e pára por aí.
O que se pode concluir é que Mike D conseguiu expandir seu conhecimento quadrado da bateria (talvez por conta da ajuda de Ortiz na percussão). Adrock sabe como ninguém usar o efeito “wah wah”. MCA é o responsável por carregar todas as músicas com o baixo. Mark Nishita poderia ter tentado ousar. Beira a mesmice.
Backstage
O trio nova-iorquino conseguiu extrapolar os limites da música escorando-se pelo seguinte tripé: talento, inovação e marketing. São pioneiros pelos seguintes fatores:
1) Com origem no punk rock, eram brancos a fazer hip hop;
2) Compuseram um disco (Paul’s Boutique) com bases inteiramente sampleadas, algo que hoje seria um projeto inviável pelo custo de direitos autorais;
3) Com Paul’s Boutique não atingiram as mesmas vendas astronômicas do primeiro álbum (Licensed to Ill), mesmo assim resolveram compor um álbum (Check Your Head) meclando faixas de rap, hardcore e instrumentais funkeadas-jazzísticas. Voltaram ao topo.
4) Organizaram cinco edições de um festival de conscientização para situação do Tibet: o Tibetan Freedom Concert. Na quarta edição, os shows ocorreram no mesmo 13 de junho em Amsterdam, Chicago/Wisconsin, Sydney, Tokyo
5) Lançaram em 2006 uma vídeo experimentação de um show em Nova York. O filme “Awesome I fucking shot that”, feito com a participação de 50 câmeras distribuídas pela platéia, recebeu prêmios.
Esses cinco pontos reforçam os quesitos talento e inovação do grupo. E foi graças a esse envolvimento e aos processos de public awareness que o grupo foi ganhando experiência no marketing. Logo depois de lançar o último álbum “To the 5 Boroughs”, anunciaram que retornariam às origens do rock e lançariam novamente um disco inteiramente instrumental, diferente e mais pesado do que já foi feito com “Check Your Head” e “Ill Communication” (1994). Isso instigou a curiosidade de fãs ao redor do mundo.
Em março e abril, os dois meses escolhidos para o trio realizar o media label do novo disco, frase de Mike D que grudou em todos os cantos foi: “É um disco diferente, não consigo descrevê-lo”.
“The Mix Up” “vazou”, numa ação meticulosa do trio, quase um mês antes da data oficial de lançamento 26 de junho. O resultado é um disco recheado pelo instrumentalismo inovador e atrevido dos Beastie Boys. Tem tudo para ser mais um disco aclamado. Mas esqueça de procurar com afinco as diferenças. It’s just another beastie plan!
6.06.2007
Só um teaser. Acabei, neste exato momento, precisamente às 16h17 desta quarta-feira, 6 de junho, de ouvir as 12 faixas do novo disco dos Beastie Boys, The Mix Up. Está diferente. O disco está mais pesado, mas a sensação é que está mantido o espírito das outras músicas instrumentais que eles gravaram em Check Your Head (1992) e Ill Communication (1994), compiladas no The In Sound From The Way Out (1995).
De fato, ficou a frustração de não ouvir vocais. Mas algo se destaca e chama a atenção dos ouvidos: uma continuidade entre o final de uma faixa e o começo da próxima. Isso, porém, vou deixar para explorar numa resenha elaborada que planejo postar sobre o disco.
PS: A Internet é fantástica. O disco só será lançado oficialmente em 26 de junho.
De fato, ficou a frustração de não ouvir vocais. Mas algo se destaca e chama a atenção dos ouvidos: uma continuidade entre o final de uma faixa e o começo da próxima. Isso, porém, vou deixar para explorar numa resenha elaborada que planejo postar sobre o disco.
PS: A Internet é fantástica. O disco só será lançado oficialmente em 26 de junho.
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