7.29.2007

Abaixo seguem cinco músicas e discos que escutei nessa última semana.

Músicas:

Triple Trouble, Beastie Boys
Campfire Kansas, The Get Up Kids
Sinking, Rehasher
The Science of Selling Yourself Short, Less Than Jake
Mi Confession, Gotan Project

Discos:

Let’s Talk About Feelings, Lagwagon
On a Wire, The Get Up Kids
The Mix Up, Beastie Boys
Here’s to Shutting Up, Superchunk
Living in Darkness, Agent Orange

7.24.2007

Hoje fui trabalhar ouvindo uma canção maneiríssima que me deixa muito contente e animado para a labuta: "Campfire Kansas".

A música descreve uma viagem de bote inflável rio abaixo. Um cenário bucólico com árvores, passarinhos, o sol aquecendo uma brisa levemente gelada e as estrelas adornando o cenário.

Sempre que ouço essa música tenho duas recordações, a primeira diz respeito aos contos de Hemingway sobre as aventuras de Nick Adams pescando e caçando em alguma parte de Michigan. A segunda é uma história de Charlie Brown sobre um dia num acampamento. A turma disputa uma corrida de canoas, tem que se virar para fazer um fogo no meio da floresta, passa frio, calor, apuros, mas se diverte como nunca. O filme se chama "Run For Your Life, Charlie Brown", lançado em 1977. Eu queria me divertir como o Snoopy no desenho abaixo.

Campfire Kansas, The Get Up Kids

woke up at eight, started the fire
had a few drinks, we all felt inspired
jumped in the stream, our shoes and canteens
the water was bitter cold

laid in the raft till it started moving
the current just sang, the song was so soothing
we stopped along the way
on a beach in the sun on a beautiful day
our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything
by noon we had swung the ropes in the woods
missed all danger, snakes and the floods
burnt by the rays and next to our legs, the water so bitter cold
lunch had been saved along with the lighters
wet cigarettes serve us as reminders
never trust a man with the food, change of clothes, and a drink in his hand

our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything

the sun would set, the stars would shine
the trees would shake, we'd all feel fine
let's take the moon and make it shine for everyone
we laughed away the sunburn
as we laughed away the day
what we lost means nothing
for the memories will stay

caught the last bus with no time to linger
driver seemed to be missing a finger
i turned and looked away to the bus, gravel road and a beautiful day

our boats collide, we'd feel the breeze
we'd stay afloat and make the most of everything

the sun will set, the stars would shine
the trees would shake, we'd all feel fine
let's take the moon and make it shine for everyone
let's take the moon and make it shine for everyone

7.19.2007

Segundo dia do acidente da TAM

Especificações do Airbus 320

Envergadura 34,1m
Cumprimento 37,6m
Altura 11,8m
Assentos 166
Peso bruto 67.000kg
Velocidade máxima 840km/h(M0.77)
Altitude máxima 11.900m
Capacidade de vôo 2.380km
Distância para decolagem 1.650 m
Distância para pouso 1.550 m
Tanque de combustível 6.300 U.S.G.
Horsepower do motor 11,340kg x 2

7.18.2007

Dia seguinte ao acidente aéreo da TAM, em Congonhas. Eu tenho certo receio de viajar de avião. Fico apreensivo e um tanto nervoso. Os sintomas são redução da respiração, sudorização e aumento da freqüência cardíaca, ou seja, clássicos do nervosismo. Em Brasília, somos obrigados a voar frequentemente. Alguns colegas que tinham passagem marcada para São Paulo, justamente em Congonhas, estão trocando para Guarulhos. Eu fico me questionando se a saída seria justamente jogar a toalha e não voar nunca mais. Eu também recorro ao seguinte senso comum: se a solução para não se envolver em acidente é não utilizar mais o meio de locomoção, eu deveria desistir de dirigir, de andar de ônibus ou eventualmente navio. Isso é simplesmente ridículo. Se eu desistir de me locomover rapidamente ou em velocidade normal de um ponto A a um ponto B, eu simplesmente deveria desistir de viver ou trabalhar. Não é um acidente como esse ou como o da Gol em setembro do ano passado que me fará desistir de voar (obviamente, isso não quer dizer que estarei mais ou menos nervoso quando entrar num avião, aliás, provavelmente estarei mais).

O meu medo é que a rotina acomodada nos leve a aceitar a situação como normal, que é o que já acontece com o transporte rodoviário, e contentar-se com explicações de que a pista de Congonhas estava inacabada, que algum equipamento do Airbus 320 falhou ou que o piloto errou ao tomar alguma decisão no momento crucial. Acidentes desse tipo são inaceitáveis. Dois acidentes aéreos com um intervalo de cerca de 10 meses é inaceitável. A situação da aviação aérea beira o caos. Os problemas vão desde a malha aérea até a busca excessiva ou descontrolada por dinheiro e riqueza pelas companhias aéreas. A administração pública em todos os três níveis devem fazer uma ampla checagem em todos os aeroportos do país, na aparelhagem do controle aéreo e se disponibilizar a tomar medidas polêmicas e impopulares como: redução dos números de vôos, restrição do uso de Congonhas e Santos Dumont e inspeção de qualidade nas empresas aéreas.

Hoje fiquei sem vontade de escrever sobre música.

7.09.2007

What do you wonder about when you're wandering alone with diffuse street lighting? Eisner é foda!

7.08.2007


Arctic Monkeys, Interpol, The Killers, Bloc Party, Hard-Fi, Maximo Park, Muse, Razorlight, Snow Patrol, Arcade Fire, The Fratellis, The Libertines, The Strokes, The Raconteurs, The Subways, We are Scientists, Kings of Leon, Bright Eyes, Built to Spill. Essas são algumas das bandinhas cultuadas pelo meio indie internacional vidrado na crítica musical do eixo Londres-NY. Em alguns momentos mais introspectivos, eu me pergunto se não deveria ter um ouvido mais "antenado" com as tendências, afinal o último disco* que baixei na Internet foi "Resolve", do Lagwagon, banda que escuto desde 1995 (mais ou menos).

Fico me perguntando o que de tão bom as pessoas ouvem no disco Neon Bible, do Arcade Fire, ou porque a molecada do Macacos Árticos são tão inovadores. Então, resolvi ceder, resolvi dar o braço a torcer. Primeiro li as críticas dos últimos discos das duas bandas. Em palavras, elas parecem fantásticas, inovadoras, desafiadoras, afinal o que de ruim poderia ter uma banda de rock orquestrado de Montreal, Canadá? Fiquei empolgadíssimo. Pensei: "Essa banda vai revolucionar minha vida. Vai ser o Beastie Boys dos anos 2000. Vou ser um novo homem".

Fui para o tudo ou nada. Baixei o disco inteiro. Mas como estava demais ansioso, não consegui esperar o disco inteiro estar disponível no meu computador. Logo coloquei para tocar a primeira música que terminou de puxar: "Black Mirror". Meio estranho... Veio a segunda: "Bad Vibrations". Estou prestes a desistir, mas como diz o ditado popular, a gente só passa a gostar de sarapatel depois da terceira garfada. Então, insisti: "Ocean of Noise". 10 segundos, 35 segundos, 1 minuto e sete segundos, 1 minuto e nove segundos... parei. É impossível ouvir esse som. O vocalista parece constipado, parece aflito para acabar logo a gravação e poder ir ao banheiro aliviar o caminho do intestino. Horroso. Arcade Fire é resultado de um casamento entre Enya e Genesis. Inaudível.

Com o trauma causado por esse rock orquestrado chatíssimo, desisti de baixar as músicas e fui a um site que vende CDs, para ouvir só os teasers. Fui atrás de The Killers, Bloc Party e Interpol. The Killers tem uma música conhecida, legalzinho, Bloc Party é só isso e... Interpol? Não vale a pena. Esse rock indie alternativo mitificado pelos "entendidos" da crítica musical é só uma maneira, renovada, de vender quase-rock tudo igual. Expoente dessa tendência, White Strips a sintetiza: é rock sem baixo, rock sem peso, rock n roll estruturado, organizado. Essa coisa alternativa é horrorosa, quase sonífera. A capa do disco do Hellacopters, reproduzida aí em cima, resume o sentimento.

Enfim, até escrever sobre elas é exaustivo. Por isso, vou parar por aqui. Não sei porquê depois de um Agent Orange, fiquei com vontade de ouvir "I Hate Music", do Replacements.

*o último disco que baixei, de fato, não foi Resolve, do Lagwagon, mas Lunatico, do The Gotan Project, que é de uma nova tendência musical. Ok, esse projeto tango revisitado está na lista de músicas dos iPods dessa galera alternativazinha. Tá no meu iPod também. Mas, em minha defesa... Ah foda-se Gotan Project é legal pra caralho e o rap de Mi Confession é bom demais.

7.06.2007


MCA deu uma entrevista para a Folha hoje. Entre outras coisas, ele diz que as bases das músicas de "The Mix Up" foram concebidas para ter vocais por cima. Como já disse aí embaixo, uma das faixas, "Off the Grid", caberia perfeitamente a voz estridente do Adrock, como em Sabotage. A entrevista tem partes que valem a pena outras não. A crítica é ridícula. Até porque quem leu a minha resenha, está muito mais informado sobre "The Plan".

Quem não teve oportunidade de ler a matéria, segue ela aí embaixo:

"
Garotos tangerina
Trio Beastie Boys deixa o rap e faz CD instrumental influenciado por Mutantes e pelo suco de mexerica de um boteco do Rio

ADRIANA FERREIRA SILVA
EDITORA DO GUIA DA FOLHA

Nada de samples, toca-discos ou baterias eletrônicas. E, principalmente, nada de rap. Assim é "The Mix-Up", novo disco do Beastie Boys, que surpreende os fãs com um álbum instrumental do início ao fim.

Não bastasse a inusitada falta de rimas, "The Mix-Up" tem um algo a mais para os brasileiros. Uma das músicas se chama "Suco de Tangerina"-frutinha que está retratada também na capa do CD.Marcada por riffs de guitarra e reverberações de dub, "Suco de Tangerina" ganhou este nome após o trio experimentar o tal refresco em uma lanchonete carioca durante sua passagem pelo Brasil, no ano passado.

A iguaria já havia sido exaltada por eles durante a apresentação no Tim Festival, mas há outros mistérios por trás da faixa do que só a fruta: "Essa música é dedicada à Brigitte Bardot e Jorge Ben", falou Adam "MCA" Yauch à Folha."Quando estávamos no Rio, fomos a um lugar chamado "BB Lanches" [casa de sucos em Ipanema], que fazia uns lanches enormes", lembra MCA. "Descobrimos que o lugar se chamava "BB" porque Brigitte Bardot costumava almoçar lá quando estava na cidade. E descobrimos também que ela teve um "affair" com Jorge Ben! Então, "Suco de Tangerina" foi feita para Bardot e Jorge Ben."

A empolgação com a "descoberta" foi tanta que, segundo MCA, eles pensaram até em batizar o disco de "BB Lanches", idéia abandonada posteriormente -mas que não seria nada mal..."The Mix-Up" (leia crítica na pág. E2) traz outras referências nacionais que vão além da gastronomia. A composição "14th St. Break", por exemplo, tem uma pegada de bateria que lembra a percussão do samba."Ouvimos muita música brasileira", confirma MCA. "Há alguma influência de samba, mas o que mais escutamos foi bossa nova e canções antigas, lentas. E, claro, há a psicodelia dos Mutantes", diz ele.

Quando começou a gravar, há cerca de um ano, o trio não tinha a intenção de fazer um CD instrumental, afirma MCA."Nosso último lançamento, "To the 5 Boroughs" [2004] era totalmente hip hop, com samples, programações, seqüenciadores, sintetizadores, baterias eletrônicas", detalha. "Nesse, a primeira coisa que começamos a registrar foram os instrumentos. Queríamos fazer um mix entre eles e os beats.

"No estúdio, os três rappers, Mike D (bateria), MCA (baixo) e Adam "Ad Rock" Horovitz (bateria), juntaram-se ao quarto Beastie Boys, o tecladista Mark Nishita, o Money Mark, e ao percussionista Alfredo Ortiz -ambos colaboradores de longa data-, iniciando sessões de improvisação marcadas por climas psicodélicos, rock e dub."A idéia era gravar as bases instrumentais e, depois, colocar os vocais", recorda MCA. "Mas, quando começamos a retrabalhar as músicas, achamos que elas estavam muito boas e decidimos terminar o disco sem as vozes."

Sétimo trabalho de estúdio da banda -que tem ainda uma leva de EPs, singles etc.-, "The Mix-Up" não é o primeiro disco instrumental do Beastie Boys. Em 1996, eles lançaram "The in Sound from Way Out!", coletânea que reunia faixas sem vocais retiradas dos álbuns "Check Your Head" (1992) e "Ill Communication" (1994).

Espírito retrô
Por trás de "The Mix-Up", no entanto, há um conceito que MCA define como "a falta de regras" e o "uso de equipamentos que marcaram os anos 70 e início dos 80". Assim, a maior parte das faixas foi feita ao vivo, em jam sessions, e, as interferências, resumem-se a "overdubs" (trechos de gravações incluídos após a música pronta).A sonoridade, diz ele, tem influências dos já citados Mutantes, além do dub de Lee Perry e King Tubby, e de bandas como The Clash, The Specials, Silver Apes e Can, entre outros.E eles voltarão a rimar? "Claro", garante MCA. "Finalmente colocamos esse álbum instrumental para fora de nossas cabeças. Voltaremos às rimas."
"

7.02.2007


Tá. Estou sem palavras. Mas esse desenho é bem bacana.

6.27.2007


Depois de um post triste, uma explicação que serve para todo e qualquer zé ruela que tem blog. Eita Vida Besta!

Eu jamais entendo, nunca me esforcei a entender, apesar de tentar ver com os olhos de outrem no momento derradeiro, segundos antes da decisão racional. O instante final, quando se levanta a última vontade contra a própria vida, é irracional. Sem chances de ouvir uma palavra de alento, sem horizonte e perto do fim.

Centenas de bandas já escreveram sobre o tema. Samiam compôs "Dull"; Nofx, "Doornails"; Pennywise, "Bro Hymn"; Lagwagon, "Sad Astronaut".

Eu me pergunto se todo mundo já cogitou realmente, alguma vez na vida, não querer mais estar por aqui.

Sad Astronaut, Lagwagon
As you sat on the bed
Moments from your end
Inconceivable dread
Inches from your head
I can’t bear to imagine you
In that horror scene
One too sad to be
In my mind's eye
I am there
Embracing you so scared
Now you kill me too
You killed me too

Decidedly willing to lie for you
Absolutely willing to cry for you
Ill at ease in saying goodbye to you
A part of me will never know

I am there, again, intervals of red
An accomplice to
Things I couldn't do
In a fable disabled

I say words like foolish son
God what have you done
I'm a thin blue cliché, hopelessly
I'm a mouthful of doubtful

Decidedly willing to lie for you
Say again
Willing to cry for you
Finally saying goodbye to you

A part of you I'll never know
Looking through the spyglass in a punctured sky
While your garden died
You couldn't see the sky for your fallen stars
Endless in your arms
You were still alive even as the sad astronaut

6.25.2007

Em alguns momentos, poucos não muitos, gostaria de ser a pessoa mais truculenta do mundo. Como na música: "Eu prefiro me sentar, simplesmente fumar cigarros e ser aquele com a boca mais barulhenta e ter mente mais fechada do mundo". O problema é que não fumo.

Tango porteño
Recomendo a banda Gotan Project. São 10 pessoas no palco: programador eletrônico, quarteto de cordas, piano de cauda, violão e acordeon. Fantástico. Eles tocaram em bsb no domingo.

Explicação para o grupo que mistura tango com eletrônica: "We really wanted to explore both tango and folkloric music from Argentina a lot further than we had before," says parisian Philippe Cohen Solal . "That's why many of the tracks are really classically tango-orientated, very traditional patterns that people like (Anibal) Troilo would use."

No último disco, eles exploraram a mistura do tango com rap. Dois MCs buenarense foram chamados para a tarefa. Na apresentação de Brasília, os dois foram incorporados ao grupo através de telões. A combinação foi primorosa.

A banda tem três albuns Lunático (2006); Inspiración-Espiración (2004) e La Revancha del Tango (2001). São belíssimos.

6.18.2007

Vale a pena conferir:

http://www.dominiopublico.gov.br


É um site mantido pela Secretaria de Educação à Distância, do Ministério da Educação. Lá pode-se encontrar todas as obras em português de domínio público, além de Shakespeare em português e inglês, Júlio Verne em francês e inglês, Julio Cesar em latim, Honoré de Balzac em inglês e francês. É um acervo enorme que inclui ainda músicas eruditas, fotografias e pinturas.

Apesar dos boatos que circulam na Internet, o site não será desativado, como garantiu a assessoria da SED.

6.12.2007

The Mix Up: A mistura da continuidade

O novo disco dos Beastie Boys a ser lançado em 26 de junho, “The Mix Up”, com a promessa de inovação, combina surpreendente com o “déjà vu”.

O álbum começa com conversas quase inaudíveis entre Mike D, Adrock, o percursionista Alfredo Ortiz e alguém chamado Tom. Mike D solicita o início da gravação. Adrock pede a Ortiz estabelecer o tempo da música, que responde: “I feel naked, brother”.

A primeira faixa “B for my Name” não tem nada de novo. E muito por conta do teclado de MoneyMark. Inspirada no acid jazz de Jimmy Smith, ela sobre, até a exaustão, da mesmice. Se Mark Nishita cansa a igualdade na primeira, na segunda “14th St. Break” começa a aparecer alguma inovação. A guitarra de Adrock tem uma frase suave e “catchy” lembrando, talvez, James Brown em início de carreira.

O cool funk entra solto em “Suco de Tangerina”, homenagem ao Brasil, “Electric Worm”, “Freak Hijiki” e “The Melee". A primeira é uma música alegre para levantar o espírito de um final de tarde de sexta-feira. A segunda abaixa o volume, pára para pensar e prepara o ritmo novamente agitado com “Freak Hijiki”. “The Melee” chega ao auge, numa mescla adequada de tangerina com limão.

As músicas mais esquisitas do disco são “The Gala Event” e “Dramastically Different”. Ambas são sombrias. Na primeira, a guitarra é cheia de efeito. MoneyMark lança algumas notas pontuais. “The Gala Event” parece trilha sonora de algum episódio maluco de Perdidos no Espaço com terno Armani de US$ 2.000. A segunda está toda funkeada é como se os Beastie Boys estivessem tocando num barzinho do subúrbio de Nova Délhi. A guitarra está tão precisa que lembra uma cítara.

As melhores músicas do disco são “Off the Grid” e “Rat Cage”, justamente as duas que ganharam versões em vídeos, que foram feitos por MCA. Ambas são carregadas pelo baixo de Adam Yauch, no melhor estilo “Stand Together”, de “Check Your Head”. “Off the Grid” abusa de tão boa. Começa tranqüila, com um solinho limpo de guitarra. Dá até para se pensar num vocal agressivo estilo “Sabotage”. Vozes cairiam como uma luva em “Off the Grid”. “Rat Cage” começa com o baixo mal tocado e “trastejando”, jargão musical para o som metálico que sai das cordas. Parece que MCA não conseguiu tirar corretamente os harmônicos do instrumento. O proposital não funcionou, a impressão de um “lazy bass” sobressai-se na música. Se eles tentaram inovar e fazer um rock sem saber explicar foi nessas duas faixas.

“Cousin of Death” flerta com esquisitice e rock n roll. O baixo bem distorcido dança com o órgão. A guitarra é ardida e está escondida para não tirar as ondas do baixo. Se os ouvidos são exigentes, “The Mix Up” vale somente por essas três músicas.

O disco acaba com “The Kangaroo Rat”, a seqüência de “Cousin of Death”. Tem um começo óbvio, lembra “Shambala”, de “Ill Communication”, mas acaba por ganhar um ritmo mais acelerado. Infelizmente, ela fica perto de deslanchar e pára por aí.
O que se pode concluir é que Mike D conseguiu expandir seu conhecimento quadrado da bateria (talvez por conta da ajuda de Ortiz na percussão). Adrock sabe como ninguém usar o efeito “wah wah”. MCA é o responsável por carregar todas as músicas com o baixo. Mark Nishita poderia ter tentado ousar. Beira a mesmice.

Backstage
O trio nova-iorquino conseguiu extrapolar os limites da música escorando-se pelo seguinte tripé: talento, inovação e marketing. São pioneiros pelos seguintes fatores:

1) Com origem no punk rock, eram brancos a fazer hip hop;
2) Compuseram um disco (Paul’s Boutique) com bases inteiramente sampleadas, algo que hoje seria um projeto inviável pelo custo de direitos autorais;
3) Com Paul’s Boutique não atingiram as mesmas vendas astronômicas do primeiro álbum (Licensed to Ill), mesmo assim resolveram compor um álbum (Check Your Head) meclando faixas de rap, hardcore e instrumentais funkeadas-jazzísticas. Voltaram ao topo.
4) Organizaram cinco edições de um festival de conscientização para situação do Tibet: o Tibetan Freedom Concert. Na quarta edição, os shows ocorreram no mesmo 13 de junho em Amsterdam, Chicago/Wisconsin, Sydney, Tokyo
5) Lançaram em 2006 uma vídeo experimentação de um show em Nova York. O filme “Awesome I fucking shot that”, feito com a participação de 50 câmeras distribuídas pela platéia, recebeu prêmios.
Esses cinco pontos reforçam os quesitos talento e inovação do grupo. E foi graças a esse envolvimento e aos processos de public awareness que o grupo foi ganhando experiência no marketing. Logo depois de lançar o último álbum “To the 5 Boroughs”, anunciaram que retornariam às origens do rock e lançariam novamente um disco inteiramente instrumental, diferente e mais pesado do que já foi feito com “Check Your Head” e “Ill Communication” (1994). Isso instigou a curiosidade de fãs ao redor do mundo.

Em março e abril, os dois meses escolhidos para o trio realizar o media label do novo disco, frase de Mike D que grudou em todos os cantos foi: “É um disco diferente, não consigo descrevê-lo”.

“The Mix Up” “vazou”, numa ação meticulosa do trio, quase um mês antes da data oficial de lançamento 26 de junho. O resultado é um disco recheado pelo instrumentalismo inovador e atrevido dos Beastie Boys. Tem tudo para ser mais um disco aclamado. Mas esqueça de procurar com afinco as diferenças. It’s just another beastie plan!

6.06.2007

Só um teaser. Acabei, neste exato momento, precisamente às 16h17 desta quarta-feira, 6 de junho, de ouvir as 12 faixas do novo disco dos Beastie Boys, The Mix Up. Está diferente. O disco está mais pesado, mas a sensação é que está mantido o espírito das outras músicas instrumentais que eles gravaram em Check Your Head (1992) e Ill Communication (1994), compiladas no The In Sound From The Way Out (1995).

De fato, ficou a frustração de não ouvir vocais. Mas algo se destaca e chama a atenção dos ouvidos: uma continuidade entre o final de uma faixa e o começo da próxima. Isso, porém, vou deixar para explorar numa resenha elaborada que planejo postar sobre o disco.

PS: A Internet é fantástica. O disco só será lançado oficialmente em 26 de junho.

5.29.2007

Eu tenho um sério problema em tomar decisões que afetam minha vida no longo prazo. Até agora, como diz um amigo meu, a minha vida foi resultado da própria inércia, ou seja, não precisei analisar com cautela e detalhe a decisão que tomaria. Elas foram vindo, foram vindo, mudei para Brasília, deixei de morar sozinho, fui morar com quatro camaradas, troquei de emprego, fiquei puto, troquei de emprego novamente, mudei de casa, passei a morar com três camaradas. Mas, agora, a partir do ano que vem, as coisas não serão tão mais no automático e já estou antecipando sentimentos. Se já foi difícil me envolver em 24 parcelas para pagar meu carro, essa próxima decisão será ainda mais árdua. Enfim, já fui seis anos para trás. Que tal seis anos para frente?

Diálogo:
- I have this feeling inside that i wouldn't like me if i met me.
- It seems like a losing fight.
- If you can see thru my eyes then you'd believe me. The truth is that i'm overrated, I can't think straight I'm formulaic, the truth is that it's sad to say it, but you can't help me.
- I don't see you that way, I hear the words that you say, I just tell you that your heart's in the right place. It's the world that's confused and it's never too late to save a hopeless case.
- I've always known a ghost like me, can disappear in a moment, i'm my own worst casualty, everything i touch can get broken, the truth is that i'm self-destructive, i'm insecure, i'm out of focus, the truth is that i've had enough but you still help me.
- I don't see you that way, I hear the words that you say, I just tell you that your heart's in the right place. It's the world that's confused and it's never too late to save a hopeless case.
-You're giving me perspective, it's better than mine, and i'll still be defective and you're wasting your time.

5.24.2007

Balada da hora

patota reunida, é um dia especial
na casa do jesus, às duas da manhã
chama todo mundo, até os primos do alan
chegou o pessoal, todo mundo empolgado
rolando o som no talo aquele hardcore irado
e só pra quem não foi, que azar que você tem
balada como essa não vai ter ano que vem!

balada... da hora

a noite vai passando, seis horas da madruga
tomou banho de breja? balada,
se enxuga ninguém desanimando,
a galera não é fraquinha
todo mundo sossegado cantando na cozinha
se não tem o que fazer, relaxa não faz mal
chama o strike e puxa um coro de natal
vamo sair lá fora, galera tá descalça
é hora de rolar uma olimpíada sem calça!

balada... sem calça balada... da hora

5.23.2007

Full of myself when I was so full of shit

Tava sem fazer nada e resolvi remexer nos arquivos do GB. Encontrei mensagens de 12 de junho de 2001. Alguém se lembra da data, além do fato de ser dia dos namorados? A discussão, que envolvia todo mundo, era sobre a encheção de saco da Sofia. O climax foi um bate-boca entre eu e o Léo.

Eu fiz um texto arrogante para defender o direito da guriazinha se expressar e condenar todos os que a atacavam. O Léo me criticou por entender que eu demonstrei certo grau de hipocrisia, afinal, eu falava algo e escrevia outra.

Depois de seis anos (áfe) da treta, lendo com calma e sem paixão. Li meus textos enchendo meus olhos da soberba nojenta e injusta que pesaram nas minhas palavras. Impressionante. Eu sempre achei injusto quando as pessoas falavam que, em determinados momentos, eu era arrongante além da conta, mas lendo essa discussão percebi que exerci a arrogância ao extremo e pra caralho.

Acho que melhorei, mas ainda recorro à soberba, sobretudo quando me auto-elogio. Isso deve ser realmente chato. Eu imagino quão chato e presunçoso sou.

A tensão termina com um comentário do Cássio que segue abaixo:

"eu tinha escrito uma mensagem enorme sobre as ultimas mensagens do tiago e do léo, mas achei melhor não escrever aqui. vou me limitar a dizer que não acho nenhum dos dois hipócrita. vocês dois sabem o que acham um do outro, o que concordam e discordam sobre suas personalidades. vocês não são melhores amigos e nunca disseram que eram, nem agiram como tal. vocês se relacionam um com o outro conforme a liberdade que se dão, vcs são amigos até onde querem ser amigos um do outro. e é isso aí. posso estar fazendo uma puta burrada de me meter, mas vcs dois são importantes pra caralho na minha vida e eu não curto esse clima que tá rolando. a meu ver, é bem simples, vcs dois não são super-hiper-compatíveis, têm seus pontos em comum e suas discordâncias. pronto. repetindo, posso estar fazendo besteira de me intrometer, mas juro que só quis ajudar. desculpem aí vcs 2 se eu falei bosta. de verdade. té+ eu"

Tudo isso pra dizer que seis anos se passaram... Acho que acabei de fazer um mea culpa.

5.16.2007

Ontem, os Beastie Boys disponibilizaram um vídeo/ensaio de "The Grid", uma das músicas do novo álbum "The Mix-Up". Como prometido e antecipado, ela soa diferente (mas não muito) de todas as instrumentais já gravadas por eles. A música começa "grooveada" com os teclados de MoneyMark e uma linha de baixo marcada, nada diferente das diversas músicas de "In Sound From the Way Out" (lembrando, inclusive, Ricky's Theme). A música começa a ganhar corpo com a bateria, uma linha de baixo estilo baladinha Red Hot Chilli Peppers e, sobretudo, com a guitarra limpa, sem o tradicional efeito wah-wah que o AdRock adora usar.

A música é milimétrica. Tem um minuto de introdução e um minuto de um groove-jazz de ambiente. É quando uma parada e uma virada solo na bateria de Mike D entram para marcar a diferença. A guitarra rápida não fica completamente distorcida; são notas bem agudas com um flanger sutil que carregam as ondas sonoras. O peso da música, como é de praxe nos Beastie Boys, é dado pelo baixo. Não chega a ser um rock n roll mas é definitivamente mais pesado, como um encontro entre"Sabotage" e "Groove Holmes". Por alguns segundos parece "The Strokes"...

Ou seja "The Grid" nasce de mais um experimento dos Bboys. A música sintetiza o que "The Mix-Up" vem para ser: um álbum instrumental experimentalmente mais pesado no melhor estilo laboratorial dos Beastie Boys.

É claro que, apesar de uma boa composição, é frustrante não vir acompanhada de vocais, de letras bem rimadas e um rap agitado. De fato, fica um gosto de "quero mais" o mesmo que surgiu quando "Hello Nasty", de 1998, trouxe apenas hip hop, uma bossa/mpb em inglês e nada de instrumental grooveado, nem hardcore, que davam o sabor adicional de "Check Your Head", de 1992, e "Ill Communication", de 1994.

Ou seja, mal posso esperar por 26 de junho, data oficial para o lançamento de "The Mix-Up".

Abaixo segue a lista das 12 músicas do disco.

1. B For My Name
2. 14th St. Break
3. Suco De Tangerina
4. The Gala Event
5. Electric Worm
6. Freaky Hijiki
7. Off The Grid
8. The Rat Cage
9. The Melee
10. Dramastically Different
11. The Cousin Of Death
12. The Kangaroo Rat

PS: No site oficial (www.beastieboys.com), além de uma série de informações sobre as gravações é possível ouvir previews das 12 faixas. Fantástico.

5.05.2007

Como estou no assunto resenhas musicais. Vou fazer uma crítica da crítica. Ontem li duas análises do último disco do Lifetime, lançado em 6 de fevereiro deste ano pouco menos de 10 anos depois Jersey's Best Dancer.

Fiquei incomodado com ambas exaltarem o fato de a banda ter conseguido "agradar" os fãs por não ter inovado em nada. O disco, segundo dizem os autores, é a sequência do anterior, que poderia ter sido lançado no ano seguinte. Não faria qualquer diferença. Não parece que se passaram dez anos, tampouco que é um disco de "reunião".

"It's almost ridiculous how tight, undeniably catchy and compelling the Lifetime crew sounds ten years, some marriages, and a Ph.D. after the fact", escreve Corey Apar, do site Allmusic.

As críticas caminham através da exaltação e escondem que Lifetime, o disco, como sequência é mediocre. Nem muito bom, nem muito ruim. É um disco de hardcore que poderia ter sido composto por qualquer uma das bandas que estava em alta no cenário de 1997, ano de lançamento de Jersey's Best Dancer.

O ponto positivo é que Ari Katz e grupo não se renderam aos ventos emo que cansaram os ouvidos de qualquer "moleque" de 16 anos. A banda foi genuína, mas passou longe do genial Hello Bastards. É isso: o reunion album Lifetime é só a sequência. Nem parece que o álbum trocou...

5.04.2007

A crítica nacional de música é bem pouco difundida. De fato existem apenas dois que fazem com algum interesse análise de música no Brasil, Álvaro Pereira Júnior (Folha e TV Globo) e Lúcio Ribeiro (iG). O problema é que fazem uma crítica setorizada que se baseia no modo inglês de escrever sobre música. Exaltam apenas um estilo musical, uma única maneira de fazer rock n roll, endeusam os novos artistas, rotulam de novidades releituras e dificilmente recorrem à história da música para fortalecer suas críticas. Entre os dois prefiro o Álvaro. Seus textos são mais sóbrios, sem extensos adjetivos e pouca exaltação groupie de bandas, como é o caso do Lúcio Ribeiro.

O problema é que ambos baseiam-se em bandas que fazem o line-up do Coachella para ouvir, comparar e analisar o mercado fonográfico internacional e alternativo, com o olho inglês da história. Arcade Fire, Fratellis, Arctic Monkeys, Kaiser Chiefs e afins são as favoritas. Fato é que festivais de grande porte nos Estados Unidos não rendem lucros se o headliner não for grandes bandas como Red Hot Chilli Peppers, a reunião do Rage Against the Machine e a Bjork (em menor escala). O Coachella não é alternativo, não é indie. O Coachella é mainstream com máscara indie porque a América, sobretudo a indústria fonográfica, sabe muito bem criar simulacros para vender ídolos os cools indies!