8.19.2004

Far Side pode animar qualquer um. As tirinhas do Gary Larson são ótimas, pena que ele censurou todos os sites que tinham quadrinhos dele por copyright. Eu quero que se foda. Essa tirinha abaixo é muito boa!!!!!

Nothing to say neither to think. Estou absorto. Amanhã vai raiar bem cedo. No more bad town.



Essa é a foto de um dos livros bacanas do Glen E. Friedman, fotógrafo contemporâneo que já clicou Minor Threat, Beastie Boys, Bad Brains e muita coisa boa.

8.18.2004

Caralho!!!! Uma das coisas mais prazerosas dessa vida é tomar cerveja em plena quarta-feira. Sério, já se passaram dois dias da semana e ainda têm dois dias pela frente, mas você deu um foda-se e encheu a cara na quarta e falou um monte de merda. Até conversou com um bêbado reacionário do caralho na mesa ao lado que insistia em tentar te convencer que os conservadores são os melhores.
PQP. Feliz da vida depois de uma cerva entre amigos em plena quarta-feira. I just wish I could have some nerve, just a bit to tell them to (pop) shove it.

Ok my mind is all about you cause you shook me all night long!!! AC/DC RULES!!!!!!!!

8.17.2004

Acabei de assistir Chasing Amy. Caralho, como é foda esse filme!!!

Numa encruzilhada com uma nota de 100 dólares estão Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, uma lésbica bonitinha e meiguinha, e uma lésbica horrenda que odeia homens. Qual deles vai pega a nota? Obviamente a lésbica horrenda que odeia homens e sabe por que? Porque os outros três são fruto da merda de sua imaginação.

Realmente, esse filme é bonzaço!.

PQP. I could let go but I just don´t want it to. Would it be better if I do?

And then in the eighth day, god created beer!!!!

Rock on!
O que vamos fazer amanhã? Ué, mas hoje nem acabou...

To com essa sensação.

Ôxe.

8.16.2004

Passei o domingo inteiro em frente a esse computador de merda tentando arrumá-lo. Não consegui. Sinceramente, um domingo inteiro jogado no lixo e amanhã (hoje) já é segunda-feira. Caralho, eu tô de mal-humor, vai ser uma semaninha filha da puta. Que saco, que bode!!!! Como diz o Leandro Ang que se explodam tudo e todos. VAI SE FODER!!!!!!

O outro Leandro propôs a criação da AICA (Associação dos Internautas Compulsivos Anônimos), mais conhecido como o grupo de pessoas sem vida em Brasília. CARALHO. Ô BODE DO CACETE!!!!!!

Só de birra não vou dormir!!!!

Droga, vou sim....

8.15.2004

Lembrete

Esse pequeno pensamento
É um rabisco das horas a fio que passo a lembrar de seus olhos
É um longo instante de suas fotografias
Desse calafrio insistente sempre que sinto seu calor

8.14.2004

Sabadão. Depois de muita cachaça, caipirinha e cerveja a baldada na sexta-feira, vou sair para pegar o Leandro e ir num restaurante jantar. Baladinha sussa para dormir bem e sonhar com os anjos.

Saludos desde acá

8.12.2004

A cabeça está embaralhada, muito mais do que já esteve. Isso não é ruim, mas dificulta a percepção transparente dos fatos, apesar disso definitivamente não existir. Melhor seria a certeza de que o momento é favorável.
E tenho medo, medo de crescer e me tornar um babaca -- um zé ruela acomodado e sem perspectivas. At this point we don´t need no water so let the motherfucker burn.

Bom em meio a tudo isso, pior seria não ter essa duo sintonia --e isso é louco demais, superado apenas por um instante em que dividimos uma música bem bacana. Estamos sempre mais distantes do que realmente queremos estar.

Permissão

Distantes dos olhos
Distantes da voz
O calor da lembrança ainda é reconfortante.

8.08.2004

É sempre muito bom voltar para São Paulo. Baladas até 7h da manhã na sexta-feira e no sábado, reencontrar as pessoas no churrasco do Ricardo, rever amigos, jogar sinuca, ouvir Incubus dividindo o fone de ouvido. Enfim, amanhã é dia de voltar para Brasília e trabalhar, trabalhar muito no Palácio do Planalto, no Congresso. Acho que eu vou pedir para o Lula bancar minhas voltas para a capital paulista.
Aliás, que fique registrado: Incubus é uma baita trilha sonora para se dividir um fone de ouvido.
Estou a ouvir agora blindfolded do Saves the Day that´s why I say that tonight I´ll take you dancing onto bridges while holding your hand close to my heart to make it warm, so I´m warm. I´ll crawl my way back home. MISS YA!

8.06.2004

25 cent giraffe

It was too loud to hear what you were thinking
And somehow I knew I would be sleeping alone tonight
But I figured that's alright
Could you still walk home with me?
I don't wanna be wondering

You couldn't keep me here
It's you or two months on the road
Just two months waiting by the phone
She grew wings and I grew wheels
And now the dust covers my heels
I sent your letter next day
No-Dozed a lot and sat and stared
I couldn't make it fifty pages in that book
I'll pull into town when the saddest sun sets down
And I'll see you at the show
I'hope you'll go you'll be there just waiting for me

8.04.2004

Morreu o fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson. Ele tinha 95 anos e estava em sua casa em Isle-sur-la-Sorgue, na França. Apesar de eu não ter muito jeito para fotografia, aprecio demais quem conhece as artimanhas da prática. Conheci a arte de Bresson na faculdade e achei sensacional. Virei fã, tenho alguns livros de fotografias dele, em especial a antologia com as melhores de sua carreira.

Não importa se morreremos algum dia, o que importa é viver todos os dias!

Segue minha foto favorita.

8.03.2004

Hoje eu só quero dormir

Quando estiver por perto,
Apague as luzes dos meus pensamentos
Para eu ter certeza
Que não sonharei com seus olhos esta noite.

7.29.2004

Par de balanços

Gostaria de te dizer algo
Gostaria de dizer bem alto para que todo mundo ouvisse
Para que você ouvisse
Para que eu me ouvisse

Gostaria de ter sua mão
Gostaria de ver sua mão bem próxima da minha
Para que você me sentisse
Para que eu me sentisse

Gostaria de ver seu rosto
Gostaria que seu rosto reconfortasse o meu
Para que você me descubra
Para que eu me descubra 

Gostaria de provar seu suor
Gostaria que seu suor molhasse minha boca
Para que você exale calor
Para que eu absorva seu calor

Gostaria de te ouvir respirar
Gostaria que sua respiração fosse bem ao meu lado
Para que você expire vida
Para que eu inspire sua vida
Evento, no mínimo, estranho: Acabei de chegar de uma balada chamada Gates (a única que toca rock nessa Brasília). Fui lá  sozinho, tomei meia cerveja, gastei 11 reais, fiquei 15 minutos e vim embora. Simplesmente fiquei bodeado. Quando cheguei em casa, liguei o computador, entrei na Internet e tive a sensação: "You know what, it feels right". Apesar de ter ficado meio puto por não ter curtido a balada, sentar em frente a essa tela fria não parece tão ruim assim.
Antes de as pessoas começarem a achar que eu virei sociopata, lunático, carente, imbecil, devo advertir que essa "empreitada" tem, no fundo, um pensamento focado no longo prazo, ainda que ele seja longevo até o final de semana. Ou seja, é simplesmente uma seleção com quem quero conversar.
Enfim, esses últimos dias não paro de ouvir Beastie Boys, acho que faz parte desse revival de sensações que atravesso.
Para acordar, Sounds of Science, Shaddrach, Hey Ladies, para ir trabalhar, Pass the Mic, Time For Living, para voltar para casa, The Maestro, Live at PJ´s e Professor Booty.

Tem uma música que fala que quando a gente tem muita coisa bacana para falar de outro alguém esse sentimento chama-se Gratidão, eu digo que quanto a gente tem engasgado um monte de coisa consigo mesmo, chama-se decepção.

7.27.2004

Quatro estrofes

Esse sentimento de incapacidade
É uma vã tentativa de te querer
É um esboço de horas de vaidade,
Num imenso plateau do poder

As noites de sono perdidas
São o desejo incontrolável de te ter
E a incompreensão da vida caída,
Na imperfeição deste pequeno prazer

As horas, esquecidas, avançam
Sem nenhum comentário a dizer.
Os pobres amantes amam
Num melodrama barato de TV

O inverno seco de sensações,
Neste planalto sem agenda ou lazer,
Dorme e congela minhas emoções, 
E não me faz esquecer de você


7.22.2004

Com uma dor no estômago que eu nunca senti antes e uma música velha na cabeça, que parece de um rádio antigo, ouvida em alto som, minha cabeça está tentando entender uma sensação que há muito tempo havia sido esquecida --diria que há, pelo menos, cinco anos. Engraçado, basta uma mera retomada de contato para esse sentimento, aparentemente, gostoso e benigno, mas que foi muito sofrido, dar sinal de vida. 
Neste momento, minha confusão não é trágica, tampouco sôfrega. Acho que a melhor forma de descrevê-la é buscar semelhança na sensação que temos de volúpia, ainda que cause estranheza e arrepio, quando colocamos um picolé recém-tirado do congelador na boca.
Estou ansioso para ver até onde eu consigo chegar com essa, digamos, empreitada.
Ontem de manhã falando sozinho no chuveiro (sim, eu canto e falo sozinho tomando banho de manhã antes de ir trabalhar), tive um breve momento de elucidação, que é o seguinte: minha vida em Brasília é bem bacana, tenho amigos, parceiros de cerveja, rock (não necessariamente o rock que eu goste), putaria e futebol, além da minha vida profissional ser altamente  enaltecedora, porém devido a fatores conjunturais passei a projetar toda minha diversão em São Paulo e todo o fardo do trabalho em Brasília.
Categorizar minha vida entre duas cidades distantes mil quilômetros entre si, só pode ter fim trágico. Eu passaria a ojerizar a vida social da capital federal ao mesmo tempo em que não conseguiria vislumbrar um desponte profissional em SP. Complexo da mesma forma que o caminho inverso também é verdadeiro. Mas como o poeta já dizia que a realidade tem todas as abstrações e as abstrações não têm nada de realidade, acho que as coisas em algum momento vão fazer sentido.
Para resumir: apesar de minha cabeça estar confusa e dolorida, estou curtindo esse momento de, digamos, várias emoções simultâneas.

O rock não morreu e sempre que há música, há um lugar para ir, não é?

7.19.2004

Depois da faculdade as pessoas se separam, é inevitável, sobretudo quando cada amigo toma caminhos diversos em busca de seu interesse pessoal.
Mas esse lance de blogs e fotologs acaba ajudando na sapiência de notícias alheias. Inclusive, acabamos conhecendo ainda melhor os amigos. Não sei exatamente o motivo, mas seja por inibição ou sociopatia, a Internet acaba se tornando um ponto de encontro frio, cheio de honestidade e profundidade.
É bom saber da vida dos nossos amigos, ainda que virtualmente. Tenham vocês certeza de que sou frequentador assíduo de todos os blogs e fotologs e afins de vocês!
 
Com o gosto horrível de Eno por conta de uma dor de estômago,
 
-Tiago-

7.12.2004

Fato engraçado.
Hoje vim trabalhar ouvindo Jimmy Eat World, "For me this is heaven", do disco Clarity. E tem um verso bacana mais ou menos assim, que é deveras marcante: "Can you still feel the butterflies? Can you still hear the last goodnight? Close my eyes and believe wherever you are. An angel for me."
Ouvindo essa música comecei a ter uns pensamentos estranhos, no bom sentido --coisa que venho tendo há algumas semanas já. As vezes os pensamentos "estranhos" são sentidos através das "butterflies" no estômago. Esse insight eu só tive depois que li uma mensagem que a Júlia, uma amiga minha, escreveu no fotolog dela. Com o perdão do "copyleft" vou transcrevê-la aqui.

"vários pensamentos estranhos na minha cabeça. não tão estranhos.... são mais... butterflies? serão elas??..."

Geralmente butterflies são sentidas no instante anterior à revelação de algo, momento em que traduzimos e transcendemos um determinado sentimento. É aquele frio na barriga que dá antes de beijar uma menina pela primeira vez, antes de dizer que ama alguém, antes de convidá-la pela primeira vez à sua casa, antes de pedir uma menina para casar contigo. Ou mesmo quando a gente recebe uma proposta de emprego, compra a primeira casa. Tem aquele friozinho na barriga de quando a gente descobre que sua mulher está grávida, de que sua vida vai mudar. Ou seja, o friozinho na barriga precede uma mudança de vida, seja ela do tamanho que for!


The West Coast has been traumatized and I think I'm the only one, still alive. When the world caves in, what you gonna do for me?

7.08.2004

Senhoras e senhoras. Seguem as duas últimas cenas da peça, que trocou de nome e agora se chama "Faltou Elvis no nosso Rock n Roll"

CENA NOVE
Clara: Não dá mais? É assim, então, você vai fugir?
Pedro: Não estou fugindo.
Clara: Ir para a França e deixar tudo para trás é fugir, sim, senhor. Cara, pára e pensa. Vai deixar sua vida toda aqui, seus amigos, família, até a merda do seu aquário, que você gosta tanto.
Pedro: Não, esse eu pretendo levar. Vou levar minha coleção de quadrinhos do Will Eisner e eu vou levar o meu videogame. Sem esquecer do meu skate.
Clara: Cara, pára e pensa, puta que pariu, não dá para levar peixinhos dourados no avião. Eles morrem.
Pedro: Que merda.
Clara: Acho que você vai ter que ficar.
Pedro: Pelos peixinhos?
Clara: É.
Pedro: Ficou louca. Eles ficam, então. Aliás, eles vão ficar com você.
Clara: Eu não gosto dos peixinhos.
Pedro: Gosta sim e vai ser um jeito de se lembrar de mim todos os dias.
... ...
Clara: Por que você decidiu essa merda toda?
Pedro: Pensa bem, quando eu iria poder estudar, fazer meu mestrado fora do país? Quando eu tivesse filhos, fosse casado e dono de um apartamento em Pinheiros?
Clara: Mas e a Júlia?
Pedro: O que tem ela?
Clara: Vai largar ela aqui?
Pedro: Vou.
Clara: E você não vê problema nenhum nisso?
Pedro: Um pouco, quer dizer, vai dar saudade, mas ela tem que entender que eu preciso estudar, fazer um MBA na França. E eu estava conversando com aquela minha amiga sueca...
Clara: A Elin.
Pedro: Sim, ela mesmo. Enfim, ela me disse que é super fácil estudar na França. Ela está morando em Paris e ofereceu dividir o apartamento com ela.
Clara: É assim? Você está indo para Paris para comer uma sueca?
Pedro: Não. Claro que não. Primeiro os estudos, quer dizer, se rolar alguma coisa, legal.
Clara: Nossa, você é realmente um babaca.
Pedro: E tem mais, eu vou arrumar um trampo por lá e fazer minha inscrição na universidade. A Elin disse que é super fácil.
Clara: Cara, é fácil porque ela é européia. Você é brazuca!
Pedro: Mas a Elin disse...
Clara: A Elin disse, a Elin disse. Vai tomar no cu com essa Elin.
Pedro: Qual o seu problema?
Clara: É você não pensar bem o que está prestes a fazer.
Pedro: Olha, você me conhece, eu fico entusiasmado com as coisas, mas no fundo, sei que vai ser difícil, mas não é impossível.
Clara: Cara, você vai ter todo esse trabalhão, esquecer da sua vida aqui no Brasil, para tentar comer uma sueca?
Pedro: Você está perdendo o fio da meada. Vou estudar na França e por acaso dividir um apê com a Elin. E, além do mais, não vou esquecer da minha vida, vou estacioná-la um pouco para avançar o farol vermelho em pleno Quartier Latin.
Clara: Você está gostando dessa idéia?
Pedro: Estou.
Clara: Sério mesmo?
Pedro: Mais do que tudo!
Clara: E a grana.
Pedro: Não é esse o problema?
Clara: E qual é?
Pedro: Acho que deixar tudo para trás...
Clara: E eu?
Pedro: O que tem?
Clara: Como eu fico?
Pedro: Você vai ser o meu porto seguro. Se você desabar eu desabo, seu você sentir saudades, eu vou sentir. Mas se você agüentar as pontas eu também vou aguentar.
Clara: Não (chorando) faz isso.
Pedro: Clara, você é a minha melhor amiga, melhor companheira, meu porto de felicidade. Vai dar tudo certo.
Clara: Fácil para você falar. Você quem está indo embora.
Pedro: Não é para sempre. E eu preciso te dizer uma coisa.
Clara: Fale!
Pedro: Preciso te explicar a verdadeira razão dessa minha busca profissional.
Clara: Comer a sueca?
Pedro: Porra, Clara presta atenção, nada disso.
Clara: Então, fala logo, seu merda!
Pedro: É o seguinte: nos últimos dias eu passei a me sentir mais próximo de você.
Clara: Bobo, a gente sempre foi próximo.
Pedro: Você quer me ouvir? Enfim, dessa vez parece ser diferente. Não sei se é por causa dos problemas com a Júlia, não sei se é besteira minha, mas tenho me sentido mais próximo de você. Parece que tudo o que aconteceu nos últimos dias tinha um significado. E eu fiquei muito preocupado e com medo depois que caiu a ficha.
Clara: Qual ficha?
Pedro: Da Jukebox chamada minha cabeça. Enfim, eu percebi que a sensação de querer estar próximo de você caminhava ao lado da sensação de me afastar da Júlia e do crescimento de meu ciúmes em relação a você e o César.
Clara: Do que você está falando?
Pedro: Eu não estou falando nada. Estou dizendo apenas que muitos sentimentos vieram ao mesmo tempo, sentimentos que eu não saberia lidar. A conclusão que eu cheguei é que esse é um momento para eu cuidar dos meus estudos, da minha vida profissional. Só longe disso tudo, eu poderei realmente me concentrar nos estudos.
Clara: Eu acho que preciso te confessar algo também.
Pedro: Clara, eu acho melhor não. Sinceramente, complicar as coisas agora não é a resposta. Essas coisas merecem racionalidade. E acho, quer dizer, tenho certeza, que ambos estamos emocionalmente fudidos para avançar o farol vermelho.
Clara: Mas Pedro, me ouça...
Pedro: Caralho, eu não vou conseguir lidar com nada disso agora. Por favor, eu quero a partir de agora me concentrar nos estudos. Somente nos estudos.
... ...
Pedro: Eu só vou te pedir uma coisa.
Clara: Qualquer coisa.
Pedro: Larga o César. Ele é um babaca e você não gosta dele. Você está usando o filho da puta.
Clara: E eu posso te pedir uma coisa?
Pedro: Claro!
Clara: Volta.


CENA DEZ
Pedro: Eu gosto de você, mas às vezes eu pareço um idiota. Sempre tentando parecer inteligente, quando, na verdade, te trato mal. Depois de tanto tempo, as coisas tornaram-se banais, só que não deveriam ser assim. Parece que não estamos mais sintonizados. Puta que pariu, estou de saco cheio de sair à rua acuado e achar que a minha vida não vai dar certo, ou que minha vida é um seriado e que no final tudo vai dar certo: viverei num mar de rosas, imerso num verdadeiro romance com Frank Sinatra de trilha sonora. Mas as coisas na vida real não são assim.
Não sei como posso ficar contigo se eu odeio suas palavras mal tratadas de vinho barato numa noite de sexo. Ao mesmo tempo não sei ficar sem o seu mal-humor, sem sua reclamação sobre meus palavrões que uso para amaldiçoar um ataque mal concluído, uma defesa mal feita ou um juiz safado quando assisto a um jogo do Palmeiras. Você faz falta demais sem sua imponência, sua altivez, sua maneira de deixar tudo triste e alegre ao mesmo tempo. Eu adoro o jeito que você faz da minha vida um inferno, quando estou num marasmo preguiçoso. Eu adoro o jeito que a gente trepa, eu adoro o jeito que você segura seus gritos de prazer. Eu adoro como seus olhos mudam de cor à noite. Eu adoro a maneira como uma luz artificial incide sobre sua face e destaca suas bochechas rosadas. É complicado te agüentar reclamando do cabelo e da pedicure, que sempre não apara direito suas cutículas. Mas eu adoro seu toque com as unhas feitas, cheio de carinho, paixão, ternura, um tocar lascivo, impudico, carnal.
Júlia: O que você está querendo dizer com tudo isso?
Pedro: Eu quero dizer que, em algum momento, a gente se perdeu pelo caminho da vida. E por isso acho que esse é o melhor momento de sair em busca do aprimoramento da minha vida profissional. Não tenho tempo para pensar em relacionamento afetivo.
Júlia: Como assim?!?
Pedro: Estou indo para Paris. Estudar. Fazer meu mestrado, sei lá. A Elin me convidou...
Júlia: Você ficou louco? Quem é Elin?
Pedro: Aquela minha amiga sueca. Ela está morando na França.
Júlia: Cara, você ficou louco. Não é possível. Elin, que caralho de Elin. Você está indo para lá só para comer uma mina sueca. Você será um babaca se gastar milhares de reais por uma buceta sueca. E eu seu idiota, como eu fico?
Pedro: Júlia, cala boca. E me escuta:
Júlia: Vai pro inferno, você e sua sueca de merda! Eu vou sair com aquele amigo australiano que está passando uma temporada aqui.
Júlia tenta ir embora, mas Pedro agarra os braços de Júlia e não a deixa.
Pedro: Você não tem amigo australiano. E me escuta. Dia desses, li uma carta de um autor de peças e achei foda o texto que ele escreveu para a namorada. Era alguma coisa parecida com isso: “Em um relacionamento não tem esse negócio de mar de rosas. É tudo muito foda, foda mesmo. Porra, mas se no final do dia a gente agüentar o tranco já valeu a pena. Simples assim.”
Júlia: Simples assim?
Pedro: Acho que sim. Mas chegou um momento em que passei a me questionar se o dia valia a pena.
Júlia: Por que você não falou nada? Por que você foi atrás de uma Elin qualquer?
Pedro: Sei lá, Júlia. E, PUTA QUE PARIU, esqueça a Elin. Ela não tem nada a ver. Ela só foi o clique que faltava. Presta atenção caralho. Eu preciso de um tempo para me concentrar, sem ter minhas elucubrações enviesadas. E esse tempo eu só conseguirei com o meu mestrado.
Júlia: Você é um babaca!
Pedro: Pode até ser, mas acho que isso, nesse momento, é o melhor a se fazer.
Júlia: Caralho, por que?
Pedro: Porque aqui no Brasil as coisas estão ficando melhores, o mercado está se reaquecendo. Acho que posso arranjar um emprego bacana com um mestrado na França depois que eu voltar.
Júlia: E precisa de mestrado na França para arranjar emprego no Brasil?
Pedro: Claro, você acha que administrar uma empresa precisa do que?
Júlia: De experiência? Você nunca trabalhou como executivo!
Pedro: Óbvio que não, eu não tinha um MBA na França!
Júlia: Você acha que esse é o único problema?
Pedro: Bem, não é só esse... É porque eu não sei falar inglês direito.
Júlia: E se você aprender inglês na França tenho certeza de que ele continuará uma bosta.
Pedro: Meu, lá eu vou estar muuuito mais perto da Inglaterra. Posso tirar uns finais de semana, atravessar a Mancha e fazer uns cursos de inglês básico.
Júlia: Só se for a Mancha Verde. Pedro, olha para mim e diz que você vai buscar um aprimoramento da vida profissional.
Pedro: Claro que vou. Fazer o meu MBA, aprender inglês e de lambuja um francês.
Júlia: E eu?
Pedro: Você é a minha namorada e tem que entender que esse é o melhor momento para eu fazer meu MBA.
Júlia: Pois é, você não vai querer esperar para casar, ter filhos ou ser dono de um apartamento em Pinheiros, não é mesmo? Enfim, eu espero que dê tudo certo...
... ...
Pedro: Júlia, entregar-se a alguém é muito bom, amar alguém é melhor ainda. Sentir que uma pessoa se importa contigo só por paixão, tesão, amor é a melhor sensação possível. E isso deixa a gente até um pouco inebriado. Por isso namorar é muito rock!!!
Júlia: Muito rock, você está louco?
Pedro: E apesar de a gente estar juntos há quase um ano, temos de levantar muita pedra para chegar ao rock, quer dizer, os Rolling Stones não chegaram a ser o que são se não tivesse existido um Louie Armstrong, os Sex Pistols nunca teriam existido se antes não surgissem os Beatles ou The Who. Assim como o Minor Threat não existiria sem os Ramones, e o Fugazi, Beastie Boys sem o Minor Threat. O Nofx não seria nada sem o Descendents. E tudo isso não existira se um cara lá atrás que tocava um piano fuleiro ou um menestrel não tivessem tocado os primeiros acordes dissonantes do mundo.
Júlia: Ã?
Pedro: O que eu quero dizer é que para construir um relacionamento profundo com raízes sólidas somos obrigados a passar por várias etapas, assim como o rock cresceu a partir da música clássica, do jazz e do blues.
Júlia: E o que isso tem a ver com Paris e com a gente?
Pedro: Sei lá... Tem a ver que em Paris eu quero solidificar meus estudos, construir um MBA.
Júlia: Você está falando que nosso relacionamento é superficial?
Pedro: Lógico que não. Eu só estou falando que quero me aprofundar nos estudos e no inglês.
Ficam ambos calados por alguns minutos.
Júlia: Faltou alguma coisa?
Pedro: Não sei.
Júlia: Deve ter faltado alguma coisa.
Pedro: Acho que faltou um Elvis...
Júlia: E nós insistimos demais em ouvir Wynton Marsalis...

FIM